CUIABÁ (MT) — O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), passou a ser investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeitas relacionadas ao credenciamento do programa de crédito consignado Credcesta, operado pelo Banco Master, durante sua gestão no Palácio Paiaguás.
A investigação foi aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo. Segundo informações divulgadas pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, a apuração busca esclarecer se houve irregularidades ou favorecimento no processo de habilitação da instituição financeira para atuar junto aos servidores públicos estaduais.
De acordo com a publicação, em 5 de maio de 2023 Mauro Mendes assinou um decreto que criou uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios destinados a servidores e pensionistas. Três dias depois, o Banco Master solicitou o credenciamento para operar a modalidade.
Ainda conforme a reportagem, o pedido teve tramitação considerada rápida. O processo foi aberto em 9 de maio e, em 12 de maio, após a apresentação de um documento complementar pelo banco, o governo estadual emitiu parecer favorável. A portaria oficializando o credenciamento foi publicada no Diário Oficial em 1º de junho de 2023, com validade até maio de 2028.
Em nota, Mauro Mendes negou qualquer irregularidade. O ex-governador afirmou que todos os atos administrativos seguiram a legislação e os princípios da administração pública.
Segundo ele, outras 24 instituições financeiras também foram credenciadas durante sua gestão e o Banco Master foi apenas uma delas.
“Os atos praticados seguiram a legalidade e demais princípios da administração pública. O Master era apenas mais uma instituição credenciada e não foi a primeira a ter o cadastro aprovado. O governo de Mato Grosso preza pela eficiência”, declarou.
A reportagem também cita que, durante o período em que ocorreu o credenciamento, Mauro Mendes participava de um evento em Nova York, nos Estados Unidos. Na mesma época, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, também estava na cidade.
O nome de Mauro Mendes não aparece no relatório da Polícia Federal que embasou as investigações envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também alvo de apurações relacionadas ao Credcesta. Apesar disso, ambos estiveram no restaurante Nusr-Et na mesma data, fato que gerou questionamentos.
Mauro Mendes afirmou que encontrou Cláudio Castro por coincidência no restaurante, que cada um permaneceu em mesas separadas e que pagou integralmente suas próprias despesas.
O caso ganhou novos desdobramentos após a Operação Compliance Zero, que também passou a investigar fatos relacionados ao Credcesta em outros estados, incluindo Bahia e Rio de Janeiro.
Em Mato Grosso, a operação do programa de consignado também é alvo de ações judiciais movidas por sindicatos de servidores públicos. As entidades alegam que milhares de servidores enfrentaram problemas como superendividamento e contratos considerados pouco transparentes.
Até o momento, não há denúncia apresentada contra Mauro Mendes. A investigação segue em andamento no STJ sob sigilo.


























