ALTO GARÇAS (MT) — O caso da professora Regilene Souza do Nascimento Gerhardt promete ganhar novos capítulos na Câmara Municipal. Após passar meses afastada das salas de aula por determinação da Prefeitura de Alto Garças, a servidora decidiu reagir e terá uma carta de repúdio lida no plenário, cobrando explicações sobre as acusações que motivaram sua saída temporária da rede municipal.
Professora concursada há 23 anos, Regilene afirma que foi alvo de acusações graves sem que provas concretas fossem apresentadas. Na carta, ela questiona onde estão os registros, documentos, testemunhos e evidências que sustentaram as denúncias de supostos maus-tratos a crianças e outras irregularidades funcionais.
A polêmica ganhou força porque a própria Prefeitura, que determinou a abertura do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o afastamento preventivo da servidora, acabou arquivando o caso após a conclusão das investigações. A decisão administrativa reconheceu a insuficiência de provas para comprovar qualquer infração disciplinar atribuída à professora.
Durante a apuração, a comissão responsável concluiu que havia versões divergentes, relatos indiretos, ausência de prova material e inexistência de testemunhos diretos capazes de confirmar as acusações. O relatório final apontou que os elementos reunidos não eram suficientes para sustentar uma punição administrativa.
Na decisão final, a administração municipal julgou improcedente a responsabilização funcional da professora, determinou o arquivamento do processo e autorizou seu retorno imediato ao trabalho.
Agora, sentindo-se prejudicada pelos meses de afastamento e pela exposição pública do caso, Regilene parte para o contra-ataque. Na carta, ela afirma que sua honra, sua imagem profissional e sua trajetória construída ao longo de mais de duas décadas foram atingidas por acusações que não se confirmaram ao final da investigação.
“Não me calarei diante de injustiças”, afirma a professora no documento que será apresentado aos vereadores.
A leitura da carta deve colocar novamente o caso no centro do debate político em Alto Garças, principalmente porque a servidora cobra explicações sobre quem produziu as denúncias, quais provas existiam e quais motivos levaram a Secretaria Municipal de Educação a sustentar acusações que acabaram não sendo confirmadas ao término do processo.
Enquanto a professora busca respostas, o episódio segue repercutindo entre servidores, educadores e moradores do município, levantando questionamentos sobre os impactos causados por acusações que, segundo a conclusão oficial do PAD, não tiveram comprovação suficiente para gerar qualquer punição.


























