Um amplo movimento de paralisações atinge universidades estaduais e federais em diferentes regiões do país, impactando diretamente a rotina acadêmica e administrativa de centenas de milhares de estudantes.
No total, instituições do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de 51 universidades federais, enfrentam greves que já comprometem aulas e serviços básicos, como restaurantes universitários.
Essas instituições concentram juntas mais de 915 mil alunos, o que representa quase metade de todo o ensino superior público brasileiro.
Em vários campi, atividades foram reduzidas ou totalmente suspensas, com reflexos imediatos no funcionamento de setores essenciais.
O caso mais recente envolve USP onde técnicos administrativos decidiram cruzar os braços após uma decisão do Conselho Universitário que criou um bônus de R$ 4,5 mil destinado a professores que participarem de projetos considerados estratégicos, como disciplinas ministradas em inglês e ações de extensão.
A decisão foi mal recebida pela categoria, que aprovou a greve e afirmou que a medida representou “a gota d’água que fez transbordar o balde de indignações pela desvalorização”.
Entre as principais reivindicações estão a incorporação de R$ 1,6 mil aos salários e o fim da compensação obrigatória de horas em períodos como feriados prolongados e recesso de fim de ano.
Estudantes também aderiram às cobranças e pedem reajuste das bolsas de permanência — hoje de R$ 885 e R$ 335 — para R$ 1 mil e R$ 500, além de melhorias na estrutura dos restaurantes universitários.
Com a paralisação na USP, parte significativa das aulas foi suspensa e serviços como o bandejão e espaços culturais deixaram de funcionar em diversos campi.
Em alguns casos, houve ainda manifestações mais intensas: na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), estudantes montaram um piquete com carteiras bloqueando o acesso às salas, alegando falta de diálogo com a administração.
No Rio de Janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) também enfrenta greve de professores e técnicos desde o fim de março. As pautas incluem recomposição salarial, retomada dos triênios e discussões sobre o orçamento da instituição.
Já na rede federal, o movimento atinge 51 instituições, segundo a Fasubra, que representa técnicos administrativos de universidades públicas. Entre elas estão universidades de grande porte, como UFRJ, UFMG, UFRGS e UFBA.
A federação afirma que acordos firmados com o governo após a greve de 2024 não foram cumpridos, o que motivou a retomada da paralisação. O Ministério da Gestão e Inovação foi procurado, mas não se manifestou.
Com o avanço das greves, além da suspensão de aulas, também há interrupção de serviços administrativos e atraso na liberação de bolsas estudantis, que são fundamentais para a permanência de parte dos alunos nas universidades públicas. E mais: Wagner Moura processa Silas Malafaia; Saiba motivo e valor.


























