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    Operação da PF abre divergência no PT sobre Jaques Wagner

    O PT está dividido sobre o destino do senador Jaques Wagner (PT-BA), após ele ser alvo nesta quinta-feira (18) da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema fraudulento do Banco Master. Uma ala do partido defende que ele deixe a liderança do governo no Senado. Outro grupo avalia que abandonar o cargo neste momento seria uma confissão de culpa.

    A divergência ficou evidente em notas públicas com tons diferentes divulgadas pelas bancadas do PT na Câmara e no Senado. Enquanto os senadores reafirmaram sua “plena confiança” em Wagner, os deputados defenderam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as fraudes do Master, sem fazer defesa enfática do senador.

    O PT da Câmara diz que Jaques Wagner deve ter sua presunção de inocência garantida e amplo direito de defesa, mas “não coloca a mão no fogo” pelo petista. Após a divulgação da nota, o deputado Rogério Correia (PT-MG), por exemplo, foi às redes sociais defender a saída do senador do posto de líder do governo.

    Como mostrou a coluna, no Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que o destino de Wagner está em xeque, mas que a decisão sobre a continuidade dele como líder do governo será de Lula. Parte dos aliados do presidente, contudo, defende que o próprio senador peça para deixar o cargo, com o objetivo de evitar mais desgaste.

    Governistas vem criticando a performance de Wagner como líder desde que o Senado barrou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril. Houve uma desconfiança, na ocasião, de que o parlamentar sabia da movimentação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para derrotar o governo e deixou de atuar para evitar o revés.

    Sobre esse impasse, Jaques Wagner concedeu entrevista na tarde desta quinta e minimizou a possibilidade de o presidente da República pedir que ele deixe o cargo de líder do partido no Senado. Wagner aproveitou o assunto para cutucar desafetos que estariam por trás das notícias sobre sua saída do posto.

    “Fogo amigo sempre aparece, mas eu prefiro confiar na minha relação com o presidente Lula. O cargo [de líder no Senado] é dele. Se ele [Lula] entender que é melhor ele sair, eu saio. Mas não acho que esta será a posição dele. […] Sinceramente acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, argumentou, em entrevista à BandNews TV.

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