MATO GROSSO — A Polícia Militar de Mato Grosso sempre foi sinônimo de presença nas ruas. Agora, parte da tropa também virou presença constante nas redes sociais. Vídeos de farda, viatura ao fundo, recado duro e discurso de combate ao crime colocaram alguns policiais no radar do público.
Entre os nomes mais comentados estão o sargento Casarin, de Sinop; o cabo Castro, de Jaciara; e o sargento Salamaleico, de Rondonópolis.
Os três seguem na ativa, e acumulam seguidores, visualizações e reconhecimento popular. A farda que antes aparecia só na ocorrência passou a circular no feed. E o fenômeno, longe de ser unanimidade, abriu uma divisão real dentro e fora da PM.
Há inclusive uma espécie de ranking que afirma que Salamaleico foi o primeiro PM de Mato Grosso a estourar nas redes, abrindo a porteira para que outros policiais entrassem no mesmo caminho da exposição digital.
O modelo é comum aos três: uniforme, cenário policial e mensagem direta. Aviso à criminalidade, defesa da polícia e discurso de autoridade.
Casarin viralizou em Sinop com vídeos firmes e sem filtro. Virou referência para seguidores e também alvo de crítica por exposição.
Em Jaciara, o cabo Castro embarcou na mesma onda. Passou a gravar rotina policial e recados à população. Em pouco tempo, o nome dele já circulava além do quartel.
Em Rondonópolis, o caso mais emblemático é o do sargento Salamaleico. O policial construiu um personagem público que hoje é reconhecido nas ruas e nas telas. E virou marca na região.
Mistura de motivação, orgulho da farda e aviso direto ao crime. Para muitos dentro da PM, foi ele quem abriu o caminho da visibilidade policial em Mato Grosso. Depois dele, outros passaram a seguir o mesmo roteiro digital.
Mas a fama virtual não é consenso. Dentro da própria PM existe incômodo claro. Policiais mais antigos e reservados veem exagero e alertam; rede social não é quartel.
Policial não é influencer. Farda não é figurino. Ocorrência não é conteúdo para PM se autopromover. Há temor de que a busca por visibilidade pessoal passe a falar mais alto que o trabalho real de rua.
Fora do ambiente institucional, a reação também é pesada em alguns pontos. Em bairros periféricos e entre a turma do grau e do randandan das motos, o trio virou alvo direto de zoeira e rejeição.
Nessas áreas, onde a PM atua forte contra moto irregular, barulho e direção perigosa, os policiais digitais são vistos como símbolo de repressão. O mesmo vídeo que gera aplauso em um público vira meme e deboche em outro.
A galerinha associa o trio à fiscalização pesada e à presença constante da polícia. Resultado: ojeriza aberta em determinadas localidades, principalmente nas quebradas e no Randandan.
Visibilidade ou pré-campanha?
Nos bastidores e nas conversas de quartel também circula outra leitura: a de que tanta exposição pode estar ligada a projeto político futuro. Alta visibilidade, discurso de segurança e identificação popular sempre tiveram peso eleitoral no interior. Por isso, há quem enxergue a presença digital como construção antecipada de capital político.
Não existe anúncio de candidatura por parte dos três. Mas a suspeita corre solta entre colegas e observadores locais.
O caso escancara uma PM que entrou de vez na era da visibilidade. Parte da população admira. Parte critica. Parte rejeita. E dentro da própria corporação o tema divide.
Uma coisa é certa; seguidor não substitui serviço. Curtida não prende bandido.
Em Mato Grosso, a polícia continua nas ruas. Mas alguns nomes também patrulham o algoritmo. E a mesma fama que levanta aplauso em um canto provoca resistência em outro.
A farda ganhou alcance. A polêmica veio junto. Como exemplo fica a frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. (Homem‑Aranha– Peter Parker).
























