Rondonópolis (MT) —Na noite desta quinta-feira (16), a audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso para discutir os serviços da Energisa em Rondonópolis, onde moradores, lideranças políticas e representantes do Ministério Público lotaram o plenário exigindo respostas para alguns problemas recorrentes.
Entre as vozes mais firmes da noite, a promotora Joana Maria Bortoni Ninis, titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Rondonópolis, fez questão de deixar claro que o Ministério Público está “de olho” e não compactua com a prorrogação automática do contrato da Energisa, que já dura 30 anos.
“Desde que a Energisa substituiu a antiga empresa Rede, nós acompanhamos inúmeras falhas. Ingressamos com ações judiciais questionando interrupções longas e recorrentes. A promotoria, em tese, é contra essa prorrogação, são três décadas de falhas que afetam todos os setores: a agricultura, a indústria e, principalmente, o cidadão comum”, afirmou Joana.
A promotora foi além: lembrou que o problema não é pontual, é estrutural.
“Sempre que chegam as chuvas, os ventos, os trovões, o sistema não aguentam. E os prejuízos não são só financeiros: são noites sem dormir, alimentos estragados, aparelhos queimados e vidas em risco. Energia é vida, e a falta dela é sofrimento real”, reforçou.
Durante sua fala, Joana cobrou transparência e atualização dos indicadores de qualidade da empresa, questionando se os números divulgados pela Energisa refletem a realidade do consumidor mato-grossense.
“Precisamos saber se esses índices são mesmo bons ou se são apenas estatísticas que escondem o caos. Não podemos aceitar julgamentos baseados apenas em laudos produzidos pela própria concessionária”, criticou, lembrando que existem mais de 13.700 ações judiciais contra a empresa tramitando no Judiciário.
A promotora também destacou o drama dos pequenos produtores rurais, que sofrem sem estrutura para enfrentar os apagões. “O pequeno agricultor perde tudo quando a energia cai. Ele não tem gerador, não tem reserva. E isso não é dano moral? Claro que é! E o calor que faz a gente perder o sono? E as pessoas que dependem de oxigênio em casa? É um contexto muito mais grave do que parece.”
O tom da audiência foi de cobrança, indignação e alerta. Para Joana, o contrato da Energisa precisa ser revisto com rigor.
“A empresa deve se comprometer mais. O contrato, do jeito que está, interessa ao governo, mas não à população que sofre todos os dias com o serviço precário. A sociedade quer uma empresa que entregue energia de verdade, não desculpas.”
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