Rondonópolis (MT) – O trânsito da terceira maior cidade de Mato Grosso virou um campo de guerra sobre rodas.
De janeiro a setembro de 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou 4.581 acidentes, envolvendo carros, motos, bicicletas, pedestres e caminhões, tanto na zona urbana quanto nas rodovias BR-163 e BR-364.
É um número que expõe o colapso da segurança viária. Junho, abril e setembro lideram o ranking da tragédia no asfalto. E, enquanto o trânsito avança, o poder público segue no retrovisor.
Nos últimos dias, três acidentes fatais voltaram a escancarar a rotina de imprudência e dor nas ruas de Rondonópolis. Uma tragédia diária; onde motoristas distraídos, motociclistas em alta velocidade, pedestres invisíveis em uma cidade onde cada esquina pode ser a última.
📊 NÚMEROS DO TRÂNSITO EM RONDONÓPOLIS (JAN–SET 2025)
| Mês | Acidentes |
|---|---|
| Janeiro | 393 |
| Fevereiro | 398 |
| Março | 448 |
| Abril | 489 |
| Maio | 479 |
| Junho | 492 |
| Julho | 456 |
| Agosto | 443 |
| Setembro | 483 |
| Total (9 meses) | 4.581 |
Os dados contam apenas parte da história, o resto está nos leitos hospitalares lotados, nas famílias destruídas e nos custos que se multiplicam para o SUS e a Previdência.
🕹️ EVOLUÇÃO DOS ACIDENTES (2022–2025)
| Ano | Número de Acidentes | Variação |
|---|---|---|
| 2022 | 3.102 | — |
| 2023 | 3.551 | 🔴 +449 (+14,47%) |
| 2024 | 3.523 | 🟡 -28 (-0,79%) |
| 2025 (jan–set) | 4.581 | 🔴 +1.058 (+30,0%)* |
| Total (2022–2025) | 14.757 | — |
O Marreta Urgente foi em busca da opinião de analistas sobre a crise no trânsito
Para entender as causas e responsabilidades desse colapso viário, o Marreta Urgente ouviu dois analistas:
O diagnóstico é duro: irresponsabilidade dos condutores, omissão da gestão pública e falência da fiscalização.

A advogada Dra. Isabelle Megiato, especialista em Direito de Trânsito e Administração Pública, não mede palavras:
“A responsabilidade individual do motorista é essencial, mas o poder público tem dever legal de garantir vias seguras.
Ela reforça que Rondonópolis ainda trata o trânsito como um tema menor, mesmo sendo terceira maior cidade do estado e polo regional de mobilidade.
“Trânsito seguro é resultado de educação, estrutura e fiscalização constante. Se um desses três pilares falha, o sistema desaba.”

O advogado, ex-comandante da PM e presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB Rondonópolis, Odair Pereira de Moura, foi ainda mais contundente:
“Temos mais de 230 mil veículos cadastrados, sem contar os que vêm de fora. Proporcionalmente à população, o trânsito de Rondonópolis é o que mais mata em Mato Grosso. Só ficamos atrás de Cuiabá em números absolutos e essa estatística vem crescendo desde 2018.”
Odair aponta que o efetivo de agentes de trânsito é insuficiente e que a falta de pátio para veículos apreendidos durante anos dificultou a fiscalização.
“A sensação de impunidade estimula a imprudência. Noventa por cento dos acidentes têm origem humana mas o Estado e o município compartilham a responsabilidade. Falta ação, sobram desculpas.”
Odair lembra que, em 2022, presidiu uma audiência pública sobre o tema e apresentou 14 medidas concretas para reverter o cenário: instalação de radares, reorganização semafórica, câmeras de vigilância e melhorias na infraestrutura urbana.
“Pouco saiu do papel. Agora, começam as licitações. Cada dia de atraso custa vidas. O trânsito é uma ferida aberta que não sara com promessa. Entendo a preocupação e o esforço extraordinário que o prefeito claudio ferreira está fazendo para tentar a solução mais eficaz deste problema”.
Quem é responsável pelo caos no trânsito?
O colapso no trânsito de Rondonópolis tem DNA político e administrativo bem definido.
| Gestão | Período | Responsabilidade Estimada | Situação |
|---|---|---|---|
| Zé do Pátio (PV) | 2017–2024 | 🔴 ≈ 90% | Oito anos de abandono e ausência de política pública efetiva de trânsito |
| Cláudio Ferreira (PL) | 2025 (9 meses) | 🟡 ≈ 10% | Herdou o caos e iniciou ações corretivas; responsabilidade institucional, não de origem |
Segundo levantamento e análise técnica do Marreta Urgente, cerca de 90% da responsabilidade recai sobre a gestão de Zé do Pátio (2017–2024), período em que o sistema de mobilidade urbana foi abandonado, sem investimento em engenharia de tráfego, sem campanhas educativas e com fiscalização praticamente inexistente.
A gestão atual, de Cláudio Ferreira (PL), que completou nove meses de mandato, herdou um sistema falido e um trânsito desorganizado e caótico.
Embora ainda não tenha conseguido reverter o cenário, o governo municipal começou a tomar medidas estruturais, como a implantação do novo pátio de apreensão de veículos, o início da fiscalização eletrônica e o planejamento de reestruturação semafórica.
O problema vai muito além do asfalto.
São centenas de mortos, milhares de feridos, hospitais lotados e famílias destroçadas. Os números do Samu e do Ministério Público são mais do que estatísticas são ataques diários à vida.
Rondonópolis já carrega o título de “Capital da Imprudência”.
A imprudência é o combustível; a omissão, o motorista. Zé do Pátio plantou o problema, Cláudio Ferreira agora tenta reconstruir o caminho destruído.
A questão central deixou de ser quem errou o que importa agora é quem vai consertar.

























