O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma nova denúncia de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta segunda-feira (9). Uma ex-funcionária do gabinete do magistrado prestou depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça, relatando investidas recorrentes que teriam ocorrido nas dependências do tribunal.
A identidade da denunciante é mantida em sigilo pelas autoridades. No depoimento oferecido ao corregedor do CNJ, a ex-servidora detalhou que os episódios de assédio aconteciam preferencialmente no período da noite, momento em que a movimentação de pessoas no prédio do STJ era reduzida.
Esta nova acusação amplia a pressão sobre o ministro, que já é alvo de uma comissão de sindicância interna no STJ. A investigação inicial foi aberta para apurar a denúncia de uma jovem de 18 anos, filha de amigos próximos da família de Marco Buzzi.
Internação hospitalar e prazos da investigação
Atualmente, Marco Buzzi está internado em um hospital particular em Brasília. O boletim médico indica que o ministro deu entrada na unidade na última quarta-feira, apresentando mal-estar e palpitações no peito. A internação ocorreu um dia após o STJ oficializar a comissão que investiga sua conduta.
O atestado médico de Buzzi é válido até a próxima sexta-feira e, até o momento, não há previsão de alta hospitalar. Apesar do quadro de saúde, o cronograma das investigações em Brasília segue mantido pelos órgãos de controle.
A expectativa é que as primeiras explicações oficiais do ministro à comissão de sindicância do Superior Tribunal de Justiça sejam agendadas para a última semana de fevereiro. No âmbito administrativo, a previsão é que o resultado do processo interno seja anunciado até o fim de março.
Foro privilegiado e trâmite no Supremo
Como Marco Buzzi ocupa o cargo de ministro de um tribunal superior, o processo criminal contra ele tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado. Os investigadores do STF aguardam o depoimento do magistrado à comissão do STJ para, na sequência, realizar o interrogatório na esfera penal.
O caso ganhou repercussão após o vazamento de mensagens de um grupo de WhatsApp. Nos textos, o pai da jovem de 18 anos relata que a filha teria sido molestada pelo ministro durante um momento de lazer no mar, enquanto as famílias estavam na praia.
Nas mensagens, a mãe da vítima cita uma profunda “quebra de confiança”, ressaltando que Buzzi era considerado um amigo íntimo e uma figura de referência familiar. Em resposta, a esposa do ministro afirmou desconhecer condutas dessa natureza em 47 anos de união, embora tenha mencionado problemas anteriores envolvendo mulheres adultas.
Defesa critica vazamentos e nega crimes
A defesa do ministro Marco Buzzi manifestou-se por meio de nota oficial, criticando o que classificou como vazamentos seletivos do caso. Para os advogados, tais divulgações tentam estabelecer uma condenação antecipada do magistrado antes mesmo da conclusão das investigações.
Os advogados afirmam ainda que não tiveram acesso integral aos autos do processo. A nota reforça que Marco Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio e que a inocência será demonstrada oportunamente dentro dos procedimentos já instaurados no CNJ, no STJ e no STF.
Nos bastidores do Judiciário em Brasília, a avaliação de interlocutores é de que o desfecho do caso possa resultar na aposentadoria compulsória do ministro. O Jornal da Band acompanha o desdobramento das investigações e os próximos depoimentos previstos para este mês.


























