O Brasil tem 13 casos confirmados de intoxicações por metanol em bebidas e 22 sob investigação, segundo dados Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apurados pela TV Globo nesta quarta-feira (17).
🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. É altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até a morte. Também pode provocar insuficiências pulmonar e renal.
Segundo o Ministério da Saúde, os números foram consolidados até 9 de junho. Em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas. No mesmo período, foram 25 óbitos confirmados, a maioria em São Paulo.
Depois de quase 10 meses com graves sequelas causadas pela ingestão de gin, Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, morador do bairro Recreio Primavera, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, morreu no domingo (14) e foi sepultado na segunda-feira (15).
Também nesta semana, a prefeitura de Querência, cidade que fica cerca de 900 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso, confirmou que uma mulher de 37 anos morreu após sofrer uma grave intoxicação causada por metanol. A confirmação da causa da morte foi divulgada pelas autoridades de saúde após exames periciais identificarem a presença do composto químico no organismo da vítima.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a mulher procurou atendimento no Hospital Municipal no dia 6 de junho com sintomas como falta de ar, dores abdominais e mal-estar. A Secretaria Municipal de Saúde da cidade orienta que qualquer pessoa que tenha consumido bebida alcoólica e apresente sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, alterações visuais, tontura ou dificuldade para respirar procure atendimento médico imediatamente.
Situação nos estados
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), atualizados em 9 de junho de 2026, apontaram que neste ano o estado de São Paulo apresentou o maior número de notificações, com 6 casos confirmados.
A Secretaria da Saúde de São Paulo informou que recomenda que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos comercializados.
“Quanto à população, a Pasta reforça para que sejam adquiridas apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando o consumo de produtos de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco. Para os pacientes com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica, estes devem procurar atendimento médico imediato, realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Os sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6h após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento”.
O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) também oferece apoio para diagnóstico e orientação pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
Na sequência, Pernambuco tem 3 positivos, Goiás dois e Bahia e Minas Gerais ambos com 1.
Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que orienta bares e restaurantes.
“A Abrasel mantém um trabalho permanente de orientação aos gestores bares e restaurantes, por entender que a segurança do consumidor começa na aquisição responsável dos produtos. Entre as recomendações estão adquirir bebidas apenas de fornecedores confiáveis, exigir nota fiscal, verificar a integridade de lacres e embalagens e comunicar imediatamente às autoridades qualquer suspeita de irregularidade.
Esse trabalho também inclui iniciativas como o portal Bebida Legal, desenvolvido em parceria com a ABBD e outras entidades e disponível em bebidalegal.com.br. A plataforma reúne cursos, materiais educativos e orientações sobre boas práticas, formas de identificar indícios de adulteração e procedimentos para garantir a segurança na comercialização de bebidas. Para os consumidores, a principal recomendação é priorizar estabelecimentos formais, que adquirem produtos por canais regulares e seguem boas práticas de armazenamento e manipulação.”























