PRIMAVERA DO LESTE (MT) — Enquanto muita gente só fala que cultura não chega na periferia, um grupo foi lá e fez. O projeto Faces em Flores – Semeadura colocou teatro dentro de escola pública e levou junto leitura, debate e aquele choque de realidade que só a arte consegue dar.
Entre março e abril de 2026, o Grupo Faces Jovem rodou com o espetáculo “O Assassino da Luva Amarela” e colocou cerca de 500 estudantes frente a frente com uma história que prende do começo ao fim. Foram três apresentações, duas na Escola Militar Tiradentes e uma no IFMT, com direito a plateia cheia e aluno saindo com a cabeça fervendo de ideia.
Mas não ficou só no palco. Segundo consta, o projeto foi além da encenação e abriu espaço pra discutir como um livro vira teatro. Os alunos participaram de mediações que explicaram na prática como nasce um personagem, como se constrói uma história e como a literatura pode sair do papel e ganhar vida. Não é só assistir, é entender o processo.
A peça, inspirada no universo investigativo do escritor Marcos Rey, acompanha um grupo de jovens tentando desvendar o sumiço de uma colega. Sem experiência, eles fazem o que muita gente esquece hoje em dia: recorrem aos livros. A mensagem é direta, leitura não é enfeite, é ferramenta.
E teve mais. O projeto também puxou autores de Mato Grosso pra dentro da conversa, valorizando quem escreve aqui e muitas vezes não tem espaço. Obras como “Eu Prefiro ser a Bruxa”, “Papo Cabeça de Criança Travessa”, “Astroblema” e “O Reino que Ruiu” entraram na roda e mostraram que a produção local tem voz, conteúdo e identidade.
A montagem leva a assinatura de Wanderson Lana na direção e texto, com sonoplastia de Isabela Cassimiro e um elenco que segura a bronca no palco. A cenografia, feita no coletivo, reforça o espírito do grupo: aqui não tem estrela isolada, é construção conjunta.
No fim das contas, o recado é simples. Enquanto tem alguns discutindo teoria, tem gente fazendo cultura acontecer de verdade. O Faces em Flores mostra que teatro não é luxo, é ferramenta de formação, de pensamento crítico e de identidade.
E quando a arte entra na escola, muda mais do que o dia do aluno. Muda o jeito de enxergar o mundo.



























