CAMPO VERDE (MT) — O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes, é apontado como figura central na investigação da segunda fase da Operação Gomorra, que apura um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que somam mais de R$ 29 milhões. As informações constam em decisão do desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, obtida com exclusividade pelo FolhaMax.
Segundo a reportagem do FolhaMax, a investigação conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), órgão ligado ao Ministério Público de Mato Grosso, aponta indícios de desvio de aproximadamente 70 mil litros de combustível, abastecimento de veículos particulares, locação de veículos que não existiriam e pagamentos por manutenção de bens que não pertenciam ao patrimônio público.
De acordo com a decisão judicial, na condição de ordenador de despesas e chefe do Poder Executivo municipal, Alexandre Lopes assinou os contratos nº 091/2024, 010/2024, 006/2024 e 113/2024, todos originados de adesões a atas de registro de preços consideradas irregulares pela investigação.
Na decisão, o desembargador afirma que há indícios de que o prefeito teria utilizado sua posição para permitir que a execução dos contratos ocorresse sem fiscalização adequada, deixando de impedir supostas irregularidades, como o abastecimento de veículos particulares e pagamentos referentes à locação de veículos inexistentes.
Ainda conforme a investigação, o esquema teria sido dividido entre um núcleo político-administrativo e um núcleo empresarial. Além do prefeito, também são citados o secretário municipal de Obras, Rubens Anunciação Júnior, e a servidora Olivete Gardim. Os fiscais de contrato Almir da Silva Limas e Carlos Roberto Pimenta também aparecem entre os investigados por supostamente atestarem serviços que não teriam sido executados.
Durante a operação, Alexandre Lopes foi alvo de mandado de busca e apreensão. O celular utilizado pelo prefeito, um iPhone 17, foi recolhido pelos investigadores.
A operação também teve como alvo cinco empresários e oito empresas. Segundo a reportagem do FolhaMax, seis dessas empresas funcionariam no mesmo endereço, no bairro Parque Ohara, em Cuiabá, o que levantou suspeitas de um possível conglomerado empresarial de caráter familiar. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos R$ 17 mil em dinheiro na residência de um dos investigados.
Alvos das medidas judiciais
- Alexandre Lopes: busca e apreensão;
- Rubens Anunciação Júnior: afastamento cautelar da função pública e indisponibilidade de bens;
- Almir da Silva Limas: afastamento cautelar da função pública;
- Carlos Roberto Pimenta: afastamento cautelar da função pública;
- Olivete Gardim: afastamento cautelar da função pública;
- Empresas e empresários investigados: indisponibilidade de bens e afastamento de sigilos, conforme determinado pela Justiça.
Até o momento, a defesa dos investigados não havia se manifestado sobre as acusações. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Informações do FolhaMax.























