A Polícia Federal decidiu descartar a proposta de delação premiada do ex-chefe do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa.
Na avaliação de investigadores, sequer é necessário formalizar uma negativa à proposta. Como não houve assinatura do termo de confidencialidade, que abre as negociações por uma colaboração premiada, não há necessidade legal de fundamentar a negativa ao investigado.
A decisão de não avançar com as tratativas foi tomada no início desta semana, segundo investigadores ouvidos
Ela coincide com a decisão da PGR (Procuradoria-Geral da República) de negar a proposta feita pela defesa de Costa, na quinta-feira (25).
Diferente da PF, o procurador-geral Paulo Gonet enviou um documento ao STF (Supremo Tribunal Federal) com a negativa. Ele argumenta que a proposta apresentada pelo ex-chefe do BRB pouco contribui com as investigações.
“Sob essa perspectiva geral, a proposta analisada apresenta reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins a que deveria servir. Os tópicos eleitos pelo proponente, ainda que trazidos de forma superficial (dada a ausência de termo de confidencialidade), já permitem a conclusão sobre a ausência de ineditismo, na sua parte mais expressiva”, diz Gonet.
O chefe da PGR afirma que Costa sequer deu “sinalização mínima do potencial de ressarcimento da pretendida colaboração”.
Reunião com investigadores
Os advogados de Paulo Henrique Costa se reuniram com investigadores no dia 28 de maio, para formalizar o interesse numa colaboração premiada.
Os defensores do ex-chefe do BRB enviaram ainda, em formato digital, um documento com linhas gerais do que Costa pretendia tratar em sua colaboração —citando detalhes das tratativas para a compra de carteiras do Banco Master e influências políticas de autoridades do Distrito Federal nas negociações.
A proposta foi recebida com desânimo na PGR e na Polícia Federal. A proposta de Costa ficou em segundo plano durante semanas até ser rejeitada.
Paulo Henrique Costa foi alvo da 4ª fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de receber imóveis de luxo em Brasília e São Paulo como propina de Daniel Vorcaro para viabilizar o negócio suspeito entre o BRB e o Banco Master.


























