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    Usina Hidrelétrica de Colíder conclui reenchimento de reservatório 6 meses após MP apontar falhas

    A Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no Rio Teles Pires, em Itaúba, a 599 km de Cuiabá, concluiu nesta quarta-feira (18) o reenchimento do reservatório e retornou ao nível de 272 metros acima do nível do mar.

    Esse é o mesmo patamar que a usina estava em agosto do ano passado. A medida acontece seis meses após o Ministério Público do estado (MPMT) apontar inúmeras falhas estruturais na barragem, que resultou no rebaixamento do reservatório e provocou diversos danos ambientais.

    O MP chegou a recomendar a desativação da barragem, caso não tenha outra alternativa.

    Em fevereiro, a usina saiu do estado de “alerta” para o de “atenção” depois de seguir um cronograma para reforçar as medidas de segurança.

    O reservatório foi reenchido com limite de 25 centímetros por dia, segundo a empresa, seguindo um fluxo gradual e controlado para priorizar a segurança dos moradores da região, do meio ambiente e do empreendimento.

    No total, foram mobilizadas 115 profissionais, com inspeções por terra, com apoio de helicópteros e drones.

    “Os resultados mostram que as condições ambientais continuaram dentro do normal. A usina segue estável, em operação e dentro dos padrões de segurança”, disse a empresa proprietária Axia Energia, ex-Eletrobras.

    A empresa orientou ainda que a população local acompanhe os comunicados oficiais para seguir os cuidados do período chuvoso, e alerta para que os barcos, flutuantes e materiais próximos ao rio sejam guardados ou amarrados de forma adequada.

    Em janeiro, duas sirenes foram acionadas de forma indevida na usina, o que assustou os moradores que saíram das casas. Após o acionamento, a companhia disse que abriu apuração para esclarecer o ocorrido e descartou qualquer situação de perigo.

    Em fato relevante divulgado ao mercado financeiro, a Axia informou que de 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo. Os drenos são estruturas que permitem que a pressão da água sob a barragem seja escoada de maneira adequada.

    Com isso, a usina reduziu o nível do reservatório para verificar as falhas nos drenos e aliviar a pressão sobre a estrutura. Contudo, essa medida gerou danos ambientais, como a morte de 1.500 peixes, alteração da qualidade da água, comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática, e prejuízos à fauna migratória.

    O rebaixamento do reservatório comprometeu a atividade pesqueira, o turismo regional e o comércio local, segundo o MPMT, que citou um impacto no setor entre R$ 10 e R$ 12 milhões por ano. A medida também afetou eventos culturais tradicionais, como o “Fest Praia” e o “Viva Floresta”, além de dificultar o acesso das comunidades ribeirinhas ao rio, prejudicando seu modo de vida.

    Relembre o caso
    A usina entrou em estado de “alerta” em agosto do ano passado, de acordo com investigação do MP.

    Na ocasião, quatro entidades civis denunciaram à Organização das Nações Unidas (ONU) o risco de rompimento da barragem.

    Desde então, a empresa que administra a usina disse que segue um cronogroma com várias fases para reforçar a segurança do local.

    A denúncia foi protocolada no departamento de Direitos Humanos à Água Potável e Saneamento da ONU.

    No documento, as entidades destacam que o Rio Teles Pires é um dos mais impactados por hidrelétricas na Amazônia.

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