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    48 horas para explicar| Justiça cobra provas de Abilio sobre acusação de interferência facção na Câmara em Cuiabá

    CUIABÁ (MT) O prefeito Abilio Brunini terá 48 horas para dar explicações à Justiça sobre declarações em que sugeriu interferência da facção criminosa Comando Vermelho na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, em 2025.

    A decisão é do juiz Moacir Torquato, da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, e atende a uma interpelação criminal apresentada pelo vereador Jeferson Siqueira ainda em 2024. O prefeito ainda não foi oficialmente notificado, mas o prazo começa a contar a partir da ciência da decisão.

    Segundo o magistrado, o procedimento é uma medida preparatória prevista no artigo 144 do Código Penal, usada quando alguém se sente ofendido e quer que o autor da fala esclareça acusações que podem configurar crimes contra a honra. Em outras palavras, a Justiça quer saber se houve acusação sem prova.

    O caso começou quando, ainda como deputado federal, Abilio reagiu à articulação que lançava Jeferson Siqueira como candidato à presidência da Câmara, com apoio de vereadores ligados à base do então prefeito Emanuel Pinheiro. Na ocasião, Abilio afirmou que havia interferência política pesada, citou o ministro Carlos Fávaro, o presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho e chegou a mencionar a atuação de facção criminosa no processo.

    Após as declarações, Jeferson recuou da candidatura, alegando desgaste político e pessoal. Mesmo assim, decidiu procurar a Justiça, afirmando ter sido profundamente ofendido. No pedido, o vereador relata que as acusações colocaram sua honra em xeque e até colocaram seu casamento em risco.

    Inicialmente, o caso foi levado ao STF, já que Abilio tinha mandato federal à época das falas. A ministra Cármen Lúcia entendeu que a competência era da Justiça Estadual. O processo acabou distribuído ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que encaminhou o caso à 10ª Vara Criminal.

    No pedido de interpelação, Jeferson faz perguntas diretas e incômodas. Ele quer saber quais vereadores estariam envolvidos com o Comando Vermelho, quais provas existem, quem teria aceitado suposta compra de votos e se há qualquer documento que ligue seu nome à organização criminosa citada por Abilio.

    Enquanto isso, a eleição seguiu e entrou para a história. Em janeiro de 2025, a Câmara de Cuiabá elegeu uma Mesa Diretora composta apenas por mulheres, com Paula Calil na presidência, além de Katiuscia Mantelli, Maysa Leão, Dra. Mara e Michelly Alencar.

    Mesmo com o resultado consolidado, a acusação não ficou no passado. Agora, o prefeito terá que responder ponto a ponto se falou com base em fatos ou se jogou uma bomba sem prova no coração da política cuiabana. A Justiça quer resposta. E rápida.

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