POR MARCELO MARRETA
O deputado estadual Thiago Silva (MDB) vive talvez o momento mais delicado de sua carreira. Antes dono de uma base eleitoral sólida, hoje se vê acuado por três fatores que mudaram completamente o tabuleiro político: a saída de Janaina Riva da disputa pela Assembleia, a ascensão meteórica de Léo Bortolin no MDB e a força política de Cláudio Ferreira em Rondonópolis.
O MDB sempre contou com o peso de Janaina Riva, a maior puxadora de votos do estado. Ela ajudava a segurar o coeficiente partidário, beneficiando nomes como Thiago. Só que desta vez, Janaina deve disputar o Senado e o “colchão eleitoral” que protegia os aliados simplesmente evapora.
Enquanto Thiago tenta mostrar força, quem vem crescendo é Léo Bortolin, ex-prefeito de Primavera do Leste e atual presidente da AMM. Com prestígio conquistado em oito anos de gestão e trânsito livre em todas as regiões, Bortolin vem atraindo prefeitos, vereadores e lideranças inclusive em Rondonópolis, reduto de Thiago. Dentro do partido, o recado é claro: há um novo comandante em campo.
Em 2022, Thiago tentou dar o salto para a Prefeitura de Rondonópolis, mas foi derrotado de forma amarga. E viu Cláudio Ferreira (PL) conquistar uma vitória avassaladora. Hoje, Cláudio é prefeito e um dos políticos mais fortes do estado. Seu capital eleitoral é tão robusto que já projeta eleger a esposa, Alessandra Ferreira, para a ALMT. Isso significa que Thiago não apenas perdeu terreno, como ganhou uma adversária altamente competitiva em casa.
Thiago Silva precisará se reinventar. Sem Janaina, com Bortolin crescendo e com Cláudio dominando Rondonópolis, sua reeleição não será apenas uma corrida normal, será um teste de sobrevivência política. Se não ampliar sua base fora de Rondonópolis, reconectar-se com aliados históricos e mostrar vitalidade, pode acabar atropelado novamente.
No tabuleiro de 2026, Thiago já não joga com as mesmas peças. O que antes era vantagem virou peso.
Recado do Marreta
A vida política não é lugar para acomodados. Thiago Silva já provou ter fôlego, mas o jogo mudou. Sem Janaina para puxar voto, com Bortolin tomando o protagonismo no MDB e Cláudio Ferreira transformando Rondonópolis em reduto de poder, Thiago vai ter que suar sangue para não virar figurante na próxima eleição.
Quem vive de passado é museu e na política, quem não se reinventa, apodrece no caminho.

























