Rondonópolis (MT) – A sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (17) não passou despercebida. O que deveria ser um debate sobre feminicídio e políticas públicas para mulheres acabou virando um ringue ideológico entre os vereadores Professor Alikson Reis (PODEMOS), Mariúva Valentim (MDB) e Vinícius Amoroso (PSB).
Alikson Reis abriu fogo ao criticar o uso da palavra “todes” durante audiência realizada na Casa, acusando o evento de ter virado “palco de circo e apologia ideológica”, citando até referências ao Hamas e Palestina. Para ele, discutir pronomes neutros em vez de políticas públicas é uma “baixaria” e uma “vergonha para Rondonópolis”.
Mariúva não deixou barato. Da tribuna, afirmou ter se sentido violentada politicamente pelo discurso de Alikson. Defendeu que a Câmara é espaço para todas as pessoas – brancas, pretas, homossexuais ou não – e sem censura de fala.
“Essa Casa é do povo, não do partido A, B ou C. Nós fomos eleitas para representar todos”, disparou, acusando Alikson de querer “proibir debates” e impor um silenciamento político.
O CONCILIADOR
Na sequência, Vinícius Amoroso tentou colocar água fria no embate, mas também não poupou críticas. Disse que, enquanto vereadores gastarem energia discutindo pronomes neutros, Mato Grosso continuará sendo um dos estados que mais mata mulheres e crianças.
“A pauta tem que ser a vida, e não o pronome que se usa”, ressaltou.
Ele aproveitou para cutucar a gestão municipal, lembrando que Rondonópolis tem apenas dois psicólogos efetivos no atendimento de saúde mental.
O saldo da treta
| Vereador | Posição na treta | Destaque da fala |
|---|---|---|
| Professor Alikson Reis (PODEMOS) | Atacou | Chamou audiência de “circo”, criticou uso de “todes” e prometeu barrar esse tipo de ato na Câmara. |
| Mariúva Valentim (MDB) | Rebateu | Disse ter sofrido violência política, defendeu liberdade de fala e acusou Alikson de querer censurar o plenário. |
| Vinícius Amoroso (PSB) | Tentou conciliar | Defendeu foco em vida e políticas públicas, criticou pauta ideológica e lembrou falta de psicólogos na saúde mental. |
No fim, a sessão desta quarta-feira (17) virou mais um episódio da série “Câmara de Rondonópolis: política ou reality show?”. O público assistiu a um espetáculo de egos, ironias e frases de efeito, enquanto os problemas reais da cidade seguem na fila de espera

























