Rondonópolis (MT) – A Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis, já conhecida pelos escândalos financeiros e administrativos, acumula uma nova denúncia grave: a dívida de R$ 828.218,95 com a Vision Serviços Médicos (GVS V SERVIÇOS MÉDICOS LTDA), empresa paulista especializada em gestão hospitalar e terceirização de equipes médicas
A Vision assumiu o serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular em maio deste ano, diante do colapso no atendimento. O hospital estava sem especialistas, o que gerou inclusive casos de amputações de pacientes, segundo relatos. Sob pressão do CRM e da direção da Santa Casa, a empresa entrou em caráter emergencial.
Mesmo sem contrato assinado, a Visio topou o desafio: antecipou pagamentos aos médicos, tirou do próprio caixa os custos dos profissionais e manteve os atendimentos funcionando. Em quatro meses, realizou centenas de consultas, procedimentos e cirurgias. O resultado? Até hoje, não recebeu nenhum centavo.
A dívida com a Visio
| Mês | Valor (R$) |
|---|---|
| Maio | 78.733,19 |
| Junho | 187.452,38 |
| Julho | 336.562,98 |
| Agosto | 225.470,40 |
| Total | 828.218,95 |
Segundo a Visio, esse valor está documentado em relatórios e prontuários médicos, comprovando que o serviço foi efetivamente prestado. A empresa afirma que a dívida real, com juros e correções, já se aproxima de R$ 1 milhão.
Quem é a Visio?
A Visio Serviços Médicos atua há mais de 10 anos em gestão hospitalar, possui mais de 5.200 médicos sócio-cotistas cadastrados e organiza cerca de 700 mil horas médicas/ano em todo o Brasil. administra mais de 16 serviços hospitalares, com 150 mil atendimentos/mês, e é reconhecida pelo modelo de gestão que integra coordenação médica, escalas, pagamentos e indicadores de performance em saúde.
Além disso, a Visio mantém um programa de educação continuada, já capacitou mais de 1.500 médicos em 2023 e investe em sistemas próprios de gestão de dados e relatórios de desempenho.
Ou seja: não se trata de uma empresa inexperiente ou de fachada. Pelo contrário, sua atuação nacional reforça o peso da denúncia contra a Santa Casa.
CEI da Santa Casa: Câmara já investiga crise financeira
O caso reforça os trabalhos da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Santa Casa, instaurada pela Câmara Municipal de Rondonópolis para apurar as causas da grave crise financeira do hospital. A comissão teve sua duração prorrogada em setembro de 2025 por mais 90 dias para aprofundar as investigações sobre o déficit econômico e apontar soluções.
A denúncia da Visio, de serviços prestados sem pagamento, deve agora entrar no radar da comissão, que analisa justamente possíveis irregularidades na aplicação dos recursos e contratos firmados pela instituição.
O modus operandi denunciado
A representante da Visio em Rondonópolis afirma que o episódio segue um padrão já conhecido dentro da Santa Casa:
“Eles chamam empresas para assumir serviços, deixam trabalhar de três a quatro meses sem pagar e depois substituem por outra equipe. É um ciclo de calote. Nós não abandonamos o serviço; deixamos porque não recebíamos e porque as condições de trabalho eram insustentáveis.”
Segundo a Visio, quando uma das médicas e coordenadora local, pediu desligamento em setembro alegando sobrecarga e falta de condições, o hospital rapidamente convidou a equipe anterior. Justamente a mesma que até então estava impedida de atuar. “Parece que fomos usados como bode expiatório para manter um esquema já enraizado”, diz a empresa.
A Visio informou que vai acionar a Justiça para cobrar a dívida. Mais do que o prejuízo financeiro, a empresa afirma que o objetivo é expor a prática de atrasos e calotes que compromete não só a gestão financeira, mas, sobretudo, a saúde da população.
“Somos a primeira empresa que pagou os médicos à vista, sem receber nada da Santa Casa. Fizemos isso para não deixar pacientes desassistidos. Agora queremos transparência: se os repasses chegaram, por que não fomos pagos?”
Repasses estão em dia, diz Prefeitura
A Prefeitura de Rondonópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que não há pendências de repasses com a Santa Casa. Segundo a nota, todos os pagamentos ao hospital estão em dia.
Além de que, contratos entre prestadores de serviços e ou empresas terceirizadas, são de responsabilidade exclusiva da Santa casa
O que diz a Santa Casa
Procurada pela reportagem, a Santa Casa de Rondonópolis, através de sua diretoria administrativa, respondeu o que segue:
A Instituição não paga nenhum dos prestadores médicos com qualquer privilégio ou distinção. Todos os médicos são tratados igualmente dentro do cronograma de pagamentos.
Elaboramos uma esteira de pagamentos por competência para equalizar.
O atraso de 08 meses, quando a atual gestão chegou ao Hospital, já foi reduzido para 04 meses em razão dessa política de imparcialidade e respeito as equipes médicas. A empresa GVS V foi avisada que de nenhuma forma seriam privilegiados em detrimentos das demais especialidades para efeito de pagamento, independente da data da contratualização.
Inclusive agora seria paga a competência Maio/2025.



























