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    Fé que vira cargo: parentes de líderes religiosos aparecem na folha da ALMT

    MATO GROSSO — O deputado estadual Sebastião Rezende (União) aparece no centro de uma daquelas histórias que, no mínimo, pedem explicação pública. Segundo levantamento divulgado, parentes de dirigentes da Comademat, convenção da Assembleia de Deus que declarou apoio à reeleição do parlamentar em 2026, ocupam cargos comissionados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

    Ao todo, cinco servidores ligados a integrantes da cúpula da convenção receberam R$ 155.186,76 em vencimentos brutos apenas entre janeiro e abril de 2026.

    Três desses vínculos passam diretamente pelo gabinete de Sebastião Rezende. Na lista estão Miriam da Anunciação Martins de Paula, esposa do pastor Edeeber Luander Martins de Paula; Ana Natália Moraes dos Anjos, filha do pastor Rogério Moreira; e Pedro Lucas Braga Sanches, filho do pastor Eurico Sanches.

    Miriam é a que aparece com maior remuneração no período: R$ 66.522,36 brutos entre janeiro e abril. Ana Natália e Pedro Lucas receberam R$ 3.971,00 por mês cada um.

    Fora do gabinete, outros dois nomes aparecem lotados na Unidade de Assessoria Técnica Legislativa da ALMT, estrutura apontada por fontes do Legislativo como ligada à cota política de Rezende. São eles Lucas Brum Della Rosa, filho do pastor Thiago Della Rosa, e Débora Rísia de Sousa França, filha do pastor João de França, presidente da Comademat.

    O detalhe que acende a luz amarela é o contexto político. A Comademat anunciou apoio a Sebastião Rezende para deputado estadual e a Victorio Galli para deputado federal, movimento que gerou repercussão interna na Assembleia de Deus em Mato Grosso.

    Não se trata, por si só, de afirmar irregularidade. Cargo comissionado existe, é de livre nomeação e está dentro da estrutura pública. Mas quando parentes de dirigentes de uma entidade que formaliza apoio político aparecem na folha do Legislativo, a pergunta vem sozinha, sem precisar de microfone:

    É apoio por convicção ou a folha ajudou a fortalecer a fé eleitoral?

    No mínimo, o caso merece explicação clara. Porque quando política, igreja e cargo público entram na mesma sala, o povo tem o direito de saber quem está pregando, quem está votando e quem está recebendo.

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