ALTO GARÇAS (MT) — A moradora Andreza Santos Leal tornou pública sua situação por meio de vídeos divulgados nas redes sociais, nos quais relata a luta para conseguir tratamento para um quadro de endometriose profunda com comprometimento intestinal. Segundo a paciente, mesmo após laudos médicos, decisões judiciais e meses de tramitação do caso, a cirurgia indicada pelos especialistas ainda não foi realizada.
De acordo com relatório emitido pelo cirurgião Leandro Dutra Peres, Andreza é portadora de dor pélvica crônica, endometriose profunda e intestinal, apresentando sintomas como sangramento uterino anormal, fadiga, dores intensas e comprometimento da qualidade de vida. O documento médico aponta ainda que a doença já afeta a região intestinal e recomenda intervenção cirúrgica especializada para evitar o agravamento do quadro.
Segundo consta nos autos, a paciente procurou a Justiça para garantir acesso ao tratamento. Em decisão liminar, foi determinado que ela fosse submetida a consulta especializada em cirurgia ginecológica, inicialmente sob responsabilidade do Estado de Mato Grosso. O processo posteriormente passou a discutir a necessidade do procedimento cirúrgico indicado pelos especialistas.
Conforme os documentos médicos anexados ao processo, a cirurgia recomendada envolve procedimentos de alta complexidade para retirada de focos de endometriose, tratamento de lesões intestinais e outras intervenções necessárias para conter a evolução da doença.
Caso ganhou repercussão nas redes sociais
Sem conseguir resolver a situação de forma definitiva, Andreza passou a divulgar vídeos relatando o histórico da doença, os atendimentos realizados e os desdobramentos do processo judicial. Nas gravações, ela afirma que convive diariamente com dores intensas, limitações físicas e dificuldades para manter uma rotina normal em razão do avanço da enfermidade.
A paciente também relata que buscou atendimento especializado particular para compreender a gravidade do quadro clínico e afirma que decidiu expor sua situação publicamente após sucessivas tentativas de obter o tratamento indicado pelos médicos. Segundo ela, a divulgação nas redes sociais teve como objetivo dar visibilidade ao caso e buscar apoio diante da demora para a realização da cirurgia.
Em manifestação apresentada à Justiça, o Município de Alto Garças argumentou que a decisão judicial inicial se limitava à realização da consulta especializada e que a cirurgia não fazia parte do pedido originalmente deferido. A administração municipal também sustentou que o procedimento precisa seguir os fluxos regulatórios do Sistema Único de Saúde (SUS) e passar por avaliações técnicas específicas antes de eventual autorização.
A prefeitura ainda defendeu que procedimentos de alta complexidade deve ser direcionados prioritariamente à rede estadual de saúde, conforme entendimento jurídico sobre a divisão de responsabilidades entre os entes públicos.
Enquanto a discussão segue nos tribunais, Andreza afirma que continua aguardando uma solução para realizar a cirurgia recomendada pelos especialistas. Segundo o relatório médico, a doença apresenta características avançadas, com comprometimento de estruturas pélvicas e intestinais, situação que exige acompanhamento especializado e tratamento adequado.
O caso segue em tramitação na Justiça e ainda aguarda definição sobre a responsabilidade pelo custeio e pela realização do procedimento solicitado pela paciente.
Processo: 1047360-31.2025.8.11.0041
OUTRO LADO
A reportagem do Marreta Urgente mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Alto Garças, da Secretaria Municipal de Saúde e do Governo do Estado de Mato Grosso sobre o andamento do caso.

























