BRASÍLIA (DF) — No país onde falta remédio, sobra imposto e a conta não fecha no fim do mês, surgiu mais uma prioridade em Brasília: a fita pega-rato.
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) resolveu mirar no produto e protocolou um projeto de lei pra proibir a comercialização no Brasil. A justificativa vem carregada de apelo. Segundo ela, o método é cruel, já que o animal fica preso e agonizando por horas ou até dias. Também apontou que a presença de ratos é reflexo de falhas do próprio poder público, como lixo mal coletado e saneamento precário.
Até aí, discurso bonito. O problema é quando ele encontra a vida real.
Nas redes, a reação foi imediata. O empresário Luciano Hang não rodeou: perguntou o que a população deve fazer então. Deixar os ratos circularem livremente? Resolver no carinho? Mandar pra casa de quem propôs o projeto?
A coisa esquentou de vez quando o médico Francisco Cardoso entrou no jogo. Ele puxou um ponto espinhoso e acusou incoerência no discurso. Segundo ele, setores que hoje falam em crueldade contra animais não demonstram a mesma indignação em debates sobre aborto, citando a movimentação do PSOL no STF contra uma resolução do CFM que limitava procedimentos após 22 semanas.
A discussão saiu do rato e caiu direto no campo minado ideológico.
Enquanto isso, a ADPF 1141 volta a ganhar fôlego com manifestação da Procuradoria-Geral da República e pode retornar à pauta do Supremo. Ou seja, o que já era polêmico promete ficar ainda mais.
No fim das contas, a cena é quase um retrato do Brasil atual. De um lado, político discutindo fita de rato como se fosse prioridade nacional. Do outro, gente lidando com infestação dentro de casa e esperando solução prática.
O rato segue correndo. E Brasília segue debatendo.























