RONDONÓPOLIS (MT) — Pré-candidata ao Senado pelo Progressistas, Margareth Buzetti desembarcou em Rondonópolis com discurso afiado, currículo nas mãos e sem fugir das perguntas do Marreta Urgente. Ela falou sobre Carlos Fávaro, governo Lula, combate à criminalidade, CPI do INSS e ainda mandou um recado direto ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini.
Margareth assumiu o Senado como suplente de Carlos Fávaro, que deixou a cadeira para comandar o Ministério da Agricultura no governo Lula. Mesmo ligada a um ministro petista, ela garante que não trocou de lado.
“Ele escolheu um lado que não foi o lado pelo qual nós nos elegemos. Nós nos elegemos defendendo Bolsonaro. Ele mudou. Eu continuei do mesmo lado”, afirmou.
A pré-candidata também abriu a caixa de ferramentas e apresentou o que fez em três anos e dois meses no Senado. Entre as principais leis de sua autoria está o Pacote Antifeminicídio, que transformou o feminicídio em crime autônomo e elevou a pena máxima para 40 anos. A legislação também endureceu o cumprimento da pena e retirou benefícios de condenados. O Senado confirma que a Lei 14.994/2024 nasceu de um projeto apresentado por Margareth.
Outro projeto que virou lei criou o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais. A norma permite a divulgação de informações de condenados em primeira instância por crimes sexuais. Durante a entrevista, Margareth disse que cobrou repetidamente a implantação do sistema pelo Ministério da Justiça e pelo Conselho Nacional de Justiça. A Lei 15.035/2024 também teve origem em proposta apresentada por ela.
Margareth ainda destacou a lei que ampliou o direito à reconstrução da mama para mulheres que sofreram mutilação por doença, acidente ou violência, com atendimento pelo SUS e cobertura pelos planos de saúde. A medida virou a Lei 15.171/2025. Outra proposta de sua autoria aumentou penas para crimes sexuais contra vulneráveis e determinou medidas como coleta de DNA de condenados. O texto deu origem à Lei 15.280/2025.
Ao falar sobre sua saída do Senado, Margareth afirmou que tudo aconteceu de forma abrupta durante a votação do relatório da CPI do INSS. Segundo ela, houve uma articulação para retirá-la da comissão porque votaria com o relator, cujo parecer alcançaria um filho do presidente Lula. A declaração representa a versão da pré-candidata sobre o episódio.
A marreta mais pesada, porém, sobrou para Abilio Brunini. Questionada sobre os embates com o prefeito, que se apresenta como representante da direita, ela não aliviou: “Dizer é uma coisa, ser é outra”. Margareth afirmou que sua trajetória política não registra mudança de lado e acusou Abilio de defender invasores de área no Contorno Leste, em Cuiabá.
Agora, a empresária prepara a primeira disputa como cabeça de chapa ao Senado. Depois de entrar pela porta da suplência, Margareth quer voltar pela porta da frente. “Se os mato-grossenses acharem que eu mereço, estarei lá. Pelo menos vou poder falar do meu trabalho”, concluiu.
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