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    Lula avalia futuro de Jaques Wagner após operação da PF

    A permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado deve ser discutida nos próximos dias em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro ocorre após a Polícia Federal deflagrar uma operação que teve o parlamentar entre os alvos e ampliou a pressão política dentro e fora do Palácio do Planalto.

    A expectativa é que Lula e Wagner conversem ainda nesta semana para avaliar os impactos da investigação e definir os próximos passos. A agenda do presidente, no entanto, pode influenciar a data da reunião, já que Lula cumpre compromissos oficiais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

    Nos bastidores do governo, a possibilidade de mudança na liderança do Senado passou a ser considerada após a operação da Polícia Federal. Apesar disso, Jaques Wagner tem resistido à hipótese de deixar o cargo e afirma não ter recebido qualquer sinalização nesse sentido por parte do presidente.

    Em declaração após a operação, o senador afirmou que não pretende pedir afastamento da função e destacou que Lula não mencionou a possibilidade durante conversa telefônica realizada poucas horas depois da ação policial.

    A investigação da Polícia Federal

    A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, investiga supostas conexões entre pessoas próximas ao senador e empresários ligados ao extinto Banco Master.

    Segundo informações apresentadas pela PF, há indícios de que vantagens econômicas teriam sido direcionadas ao parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas associadas ao grupo investigado.

    Durante o cumprimento de mandados, agentes encontraram valores em moeda estrangeira e relógios em endereços relacionados ao senador em Brasília e Salvador.

    A representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal também menciona supostos benefícios que incluiriam a aquisição de um apartamento em Salvador, utilização de aeronaves particulares, ingressos para eventos internacionais e pagamentos destinados a empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.

    A defesa de Jaques Wagner nega irregularidades e sustenta que o senador não cometeu qualquer ato ilícito.

    Peso político e cenário eleitoral

    Mesmo diante da pressão causada pela investigação, aliados do governo avaliam que a saída de Jaques Wagner da liderança poderia gerar impactos políticos relevantes para o PT, especialmente na Bahia.

    O senador busca a reeleição em 2026 e aparece entre os principais nomes do partido no estado. Integrantes da legenda defendem que uma eventual substituição poderia enfraquecer não apenas sua candidatura, mas também outras campanhas petistas na região.

    Outro fator considerado importante é a relação histórica entre Lula e Wagner. O senador ocupou diversos cargos de destaque em governos petistas, incluindo os ministérios do Trabalho, da Defesa, da Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais.

    A proximidade política construída ao longo de décadas é apontada por interlocutores como um dos elementos que podem favorecer sua permanência na função.

    Questionamentos anteriores

    Os debates sobre a atuação de Jaques Wagner na articulação política do governo não começaram com a operação da Polícia Federal.

    Nos últimos meses, integrantes da base governista já haviam manifestado insatisfação após derrotas enfrentadas pelo Planalto em votações consideradas estratégicas. Entre os episódios mais citados está a rejeição de uma indicação apoiada pelo governo para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

    Na ocasião, parlamentares atribuíram parte do desgaste à articulação conduzida pela liderança governista no Senado.

    Planalto monitora impactos

    No Palácio do Planalto, a avaliação é que os desdobramentos da investigação podem influenciar o ambiente político e eleitoral nos próximos meses.

    Enquanto aliados defendem cautela e respeito ao devido processo legal, setores do governo consideram necessária uma resposta política para reduzir os impactos da crise.

    A decisão final sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo deve ser tomada após a conversa direta com Lula, que acompanha de perto a evolução do caso e seus possíveis reflexos para a administração federal e para o PT.

    Na ocasião, o próprio líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), colocou em questão a permanência de lideranças no Congresso. Mesmo dizendo que uma “caça às bruxas” não resolve os problemas, o deputado afirmou que alguns líderes estavam passando por uma espécie de “desgaste”.

    Operação apontou ligações com o Master
    A PF (Polícia Federal) deflagrou na última quinta-feira (19) a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estava o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

    A corporação investiga um possível vínculo entre o entorno familiar de Jaques e suas empresas com outros nomes conectados ao liquidado Banco Master.

    Segundo a PF, foram identificados elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao Banco.

    Nesta nova fase da investigação, foram encontrados cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) e relógios em endereços ligados ao senador em Brasília e em Salvador.

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