CUIABÁ (MT) — A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), iniciou articulações para alterar o Regimento Interno da Casa e abrir caminho para uma possível permanência no comando do Legislativo. O detalhe que chama atenção é que a regra que hoje pode impedir seus planos foi aprovada em 2016, período em que seu irmão, o atual deputado estadual Faissal Calil (PL), integrava a Mesa Diretora.
Segundo o texto vigente, o artigo 23 do Regimento Interno proíbe a recondução ao mesmo cargo dentro da mesma legislatura. Na prática, caso a regra permaneça como está, Paula ficaria impedida de continuar ocupando a presidência da Câmara após o término do atual mandato.
A norma surgiu por meio da Resolução nº 08 de 2016, aprovada durante a legislatura em que Faissal exercia o cargo de primeiro vice-presidente da Mesa Diretora. Na época, o objetivo era limitar a permanência de parlamentares nos mesmos cargos de comando da Casa.
Em 2018, uma alteração chegou a liberar a recondução sucessiva. Porém, a mudança acabou sendo derrubada pela Justiça, fazendo com que o texto original voltasse a valer.
Nos bastidores, Paula confirmou que já iniciou conversas para a futura eleição da Mesa Diretora. Segundo ela, uma reunião recente contou com a participação de vereadores de seu grupo político, além do vereador Dilemário Alencar (DC) e da vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade).
De acordo com a presidente, o encontro teve como objetivo construir uma composição sem vetos a candidaturas.
“O objetivo era que cada um desse o seu posicionamento quanto à eleição da Mesa Diretora e uma possível composição”, afirmou.
Paula também rebateu críticas feitas pelo deputado estadual Juca do Guaraná (PSDB), ex-presidente da Câmara de Cuiabá, que se posicionou contra uma eventual reeleição para o cargo.
Para a presidente, impedir a disputa seria uma medida antidemocrática.
“Não ser bom para a democracia é você impedir que uma pessoa dispute em igualdade com os demais. Isso, sim, é antidemocrático”, declarou.
Enquanto as articulações avançam nos corredores da Câmara, o debate gira em torno de uma questão curiosa: a mesma regra criada quando Faissal Calil ocupava espaço na Mesa Diretora agora pode se transformar no principal obstáculo para a permanência de sua irmã no comando do Legislativo cuiabano.
























