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    “Não gosto de política” a fuga perfeita de quem ajuda a manter o Brasil na lama

    Por Marcelo Marreta
    (2 minutos de leitura)

    No Brasil, dizer “não gosto de política” virou frase de conforto. É a maneira mais fácil de fugir da responsabilidade sem admitir a fuga. Quem repete isso costuma falar como se política fosse um problema dos outros, algo distante, sujo demais para ser discutido na mesa do dia a dia.

    Só que essa postura não é neutra. É conveniente. E tem consequências.

    A política não acontece apenas em Brasília ou em época de eleição. Ela está no preço do mercado, na fila do SUS, no salário que não acompanha a inflação, na rua esburacada e na escola sem estrutura. Quando alguém escolhe não discutir política, está apenas aceitando que outros decidam tudo isso por ele.

    O discurso do “não gosto de política” criou uma geração que reclama muito e participa pouco. Gente que não acompanha mandato, não fiscaliza, não cobra, não sabe quem votou, mas se indigna quando o serviço público falha. Quer o efeito sem encarar a causa.

    Esse desinteresse virou cultura. E cultura gera padrão.

    Enquanto o cidadão comum se afasta, quem tem interesse nunca sai do jogo. Grupos organizados, corporações, políticos profissionais. Esses discutem política o tempo todo. Planejam, pressionam, influenciam. O silêncio popular vira espaço livre. E espaço livre, em política, sempre é ocupado.

    Depois vem o espanto ensaiado. Corrupção, má gestão, escândalo, desperdício. A reação é sempre a mesma: revolta tardia, compartilhamento indignado e, logo depois, esquecimento. A política segue. Só o eleitor fica parado.

    O conservador inglês Edmund Burke já alertava, séculos atrás, que “para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”. Não é uma frase sobre heroísmo. É um aviso sobre responsabilidade. A omissão também produz resultado. E quase sempre produz resultado ruim.

    Democracia não funciona sem incômodo. Debate cansa, discordância incomoda, cobrança dá trabalho. Mas é exatamente isso que impede o poder de virar rotina de abuso. Quando o cidadão abandona o debate, a política deixa de ser pública e vira privada.

    Dizer que não gosta de política não é sinal de maturidade. É sinal de desistência. É abrir mão de participar do próprio destino e depois reclamar do rumo que ele tomou.

    Política não pede permissão para entrar na sua vida. Ela entra. Sempre entrou. A diferença é se você participa da conversa ou aceita calado as decisões.

    O Brasil não sofre só com políticos ruins. Sofre com uma sociedade que decidiu não discutir política, mas nunca deixou de sofrer suas consequências.

    Marcelo Marreta é jornalista, editor e fundador do portal Marreta Urgente. Atua na cobertura de política, segurança pública e bastidores do poder, com uma linha editorial independente, direta e sem concessões. Participa de programas em rádios e atrações de alcance nacional, como o Bradock Show, levando análises críticas e posicionamentos firmes além do cenário local. Conservador de direita, defende a transparência, a liberdade de expressão e o direito à informação como princípios inegociáveis do jornalismo.

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