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    Fogo no Parquinho| Serv Saúde no olho do furacão e o jogo político por trás da denúncia em Rondonópolis

    RONDONÓPOLIS (MT) – A velha máxima “onde há fumaça, há fogo” parece ganhar novo sentido no caso que envolve o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Municipais (SERV SAÚDE). A Secretaria Municipal de Transparência e Controle Interno (SETRACI) apontou que o órgão usou dinheiro público para bancar “kits festa” mensais.

    Segundo o relatório oficial, o gasto é um desvio de finalidade: o dinheiro destinado ao bem comum acabou bancando celebrações particulares. O caso nasceu de uma denúncia feita à Ouvidoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), sob o número 205.679-8/2025, e virou alvo direto de investigação.

    A SETRACI foi clara ao dizer que o uso do recurso público para custear festas é irregular e fere a finalidade institucional. O relatório cita:

    “O dinheiro público destina-se ao bem comum e não pode ser usado para custear celebrações de caráter pessoal ou familiar, mesmo que sejam para servidores.”

    Mais do que a denúncia, o silêncio da direção do SERV SAÚDE chamou atenção. A gestora Geane Lina Teles foi notificada a apresentar notas fiscais e justificativas, mas não respondeu. O resultado: os auditores tiveram que se basear apenas no Portal da Transparência. Diante do quadro, a SETRACI determinou que o órgão cesse imediatamente as despesas do tipo e que R$ 3.742,94 sejam devolvidos aos cofres públicos em até 30 dias.

    “Denúncia infundada e clima eleitoral”

    A diretora executiva Geane Lina Teles reagiu. Em nota, ela disse que a denúncia foi arquivada pelo TCE-MT, chamando as acusações de “infundadas”. Também criticou o que chamou de “falta de apuração jornalística”, alegando que nenhum veículo entrou em contato antes da divulgação do caso.

    Geane afirmou ainda que a situação foi politizada, ligando o episódio à disputa pela presidência do SISPMUR (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis). Para ela, há interesses externos tentando desgastar sua imagem e usar o caso como combustível eleitoral.

    “Nossa trajetória é pautada por transparência, dignidade e respeito. Não compactuamos com distorções, invenções ou fake news. A verdade prevalece. E continuará prevalecendo.”

    De um lado, o relatório da SETRACI, com base documental, recomendação de devolução de valores e o carimbo da irregularidade.
    Do outro, a defesa da gestora, afirmando que o TCE arquivou o caso e que tudo não passa de movimento político travestido de denúncia técnica.

    Jogo político à vista

    O episódio ultrapassou o campo administrativo. O que era uma apuração de gastos virou troca de acusações, narrativas conflitantes e clima de pré-campanha sindical e eleitoral.
    Enquanto a SETRACI cobra devolução de dinheiro, a gestora fala em perseguição e manipulação. No meio desse fogo cruzado, o contribuinte assiste a mais um espetáculo de versões.

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