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    Centenas de pessoas prestam últimas homenagens a Arlindo Cruz

    Centenas de pessoas prestaram as últimas homenagens a Arlindo Cruz, um dos maiores sambistas do Brasil, que morreu na sexta-feira aos 66 anos. O velório foi aberto ao público às 18h deste sábado (9) na escola de samba Império Serrano, em Madureira, na Zona Norte do Rio, e se estendeu até as 10h deste domingo (10). Na sequência, o corpo saiu em cortejo no carro do Corpo de Bombeiros para o Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste, onde foi sepultado às 11h numa cerimônia restrita.

    A homenagem foi marcada por um ritual de origem africana conhecido como gurufim, que mistura música e dança em um clima de celebração. Segundo familiares, esse foi um pedido do próprio Arlindo. O filho dele, o também músico Arlindinho, tocou cavaquinho e cantou vários sucessos do pai, entre eles, “O Show Tem Que Continuar”. Em entrevista à TV Globo, Arlindo disse que, até na partida, o pai deixou um ensinamento de força e luta.

    Eu achava que ia ser mais fácil. Ele já vinha mal, teve uma piora nos últimos meses. Era ele ir pra outro plano, era descansar esse corpo. Ainda assim, ele insistia muito em ficar vivo, muito forte. Lutou, lutou, lutou. Meu pai, acho que até na hora de partir, foi um ensinamento de sempre lutar, de lutar pela vida, de lutar. Meu pai foi um grande homem e ele precisava descansar. Então, acho que nesses últimos oito anos e meio, acho que o único dia de alívio que eu tô tendo é esse agora. Apesar de triste, aliviado, porque eu sei que, pelo menos agora, ele não tá ma’is sofrendo’.

    No momento em que o caixão foi colocado no carro dos bombeiros, o público emocionado também cantou em coro a música ‘Meu Lugar’, que fez Madureira se tornar um bairro conhecido em todo o país. A família fez um pedido para que todos comparecessem vestindo roupas claras. A orientação tem um significado simbólico — os tons de luz representam a alegria e a energia de quem é homenageado.

    Antes do velório para o público, parentes e amigos tiveram uma cerimônia mais restrita. Mas logo na abertura dos portões ficou difícil até mesmo entrar na quadra do Império Serrano. Na manhã de hoje, o movimento já era mais tranquilo.

    Os fãs lamentaram a partida de Arlindo, mas também destacaram que ele descansou após uma viver os últimos anos de vida enfrentando sequelas de um AVC hemorrágico, sofrido em 2017. À GloboNews, a costureira Cecília Cândida classificou Arlindo como um poeta que cantava o subúrbio do Rio.

    ‘Eu conheci Arlindo no Fundo de Quintal. Arlindo era da minha idade. Um poeta sem tamanho, que cantava o subúrbio do Rio de Janeiro, cantava o Brasil. Isso é o retrato do Brasil. Esse era Arlindo Cruz. Que venham outros Arlindos por aí, porque a semente que ele plantou vai ficar’.

    Arlindo Cruz sofreu falência múltipla dos órgãos após ficar internado desde abril no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste. O Império Serrano, que cedeu a quadra para o velório, homenageou o cantor em 2023. Arlindo deixa mais de 500 canções gravadas e eternizadas por diversos intérpretes.

    Fonte: CBN

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