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    Repugnante: comissionado da Coder é exonerado após ataque sexual contra Janaina Riva

    RONDONÓPOLIS (MT) – A política mato-grossense acordou com mais um episódio lamentável que ultrapassa qualquer limite do debate público. A deputada estadual Janaina Riva (MDB) registrou boletim de ocorrência após ser alvo de áudios ofensivos, com teor sexual e moral, atribuídos ao servidor comissionado Deliandson Milton da Silva, 41 anos, lotado na Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), autarquia vinculada à Prefeitura de Rondonópolis.

    Os áudios; descritos como “nojentos, de cunho sexual, humilhantes e agressivos” circulavam em grupos de WhatsApp e chegaram aos aliados da parlamentar enquanto ela estava em viagem oficial. De acordo com o registro policial, Janaina sentiu “profundo constrangimento e abalo moral”, ressaltando que o conteúdo atingia diretamente sua figura pública em Mato Grosso.

    No boletim apresentado à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, o servidor aparece enquadrado nos crimes de injúria e importunação sexual, ambos na forma consumada.

    E não se tratou de uma fala isolada. O material enviado pelo servidor ; em tom de deboche, sexualização e desrespeito; tratava a deputada com expressões degradantes e absolutamente incompatíveis com qualquer parâmetro civilizado. O caso se enquadra em violência política de gênero, uma prática covarde que tenta transformar a participação feminina na política em alvo de humilhação.

    Em vídeo publicado no Instagram, visivelmente abalada, Janaina disse que sequer teve coragem de divulgar o teor dos áudios. A parlamentar afirmou que a agressão atingiu não apenas sua dignidade, mas também sua família:

    “Fiquei pensando se meus filhos ouvissem isso. O quanto seria doloroso para eles e para mim.”

    Ela informou que já acionou:

    – Ministério Público

    – Assembleia Legislativa, por meio do presidente Max Russi

    – Justiça, com queixa-crime

    – Polícia Civil, com registro de boletim

    E reforçou que mulheres na política não podem admitir esse tipo de ataque:

    “Não é uma opção para nós mulheres não denunciarmos esse tipo de agressão.”

    Diversos políticos e partidos, entre eles o MDB de Mato Grosso, divulgaram notas de repúdio classificando o ataque como:

    – Vergonhoso

    – Violador da dignidade feminina

    – Violência política de gênero

    Nos bastidores, o episódio gerou constrangimento entre assessores do Executivo. Um servidor comissionado envolvido nesse tipo de conduta, ainda mais direcionada a uma das figuras mais influentes da política estadual, é o tipo de bomba que ninguém quer assumir.

    Assim que o caso veio à tona, a Coder adotou o movimento clássico de contenção de danos: reforçou que o funcionário não pertence ao quadro do Executivo, mas sim da autarquia, que possui gestão própria.

    Em nota pública, a Coder repudiou as condutas ofensivas e destacou que não compactua com comportamentos que atentem contra a dignidade humana. O objetivo foi claro: distanciar a instituição do estrago causado.

    A autarquia destacou:

    – Repúdio a práticas que ferem a ética e a Administração Pública;

    – Desligamento imediato do servidor;

    – Exoneração a ser publicada no Diário Oficial;

    – Compromisso com respeito, integridade e dignidade da pessoa humana.

    O episódio evidencia um fenômeno crescente no país: ataques misóginos e sexualizados contra mulheres que ocupam cargos públicos, com o objetivo de diminuir, envergonhar e tentar deslegitimar sua autoridade.

    A exoneração do servidor não encerra o terremoto político; é apenas o primeiro capítulo de um caso que ainda promete repercussões jurídicas, administrativas e institucionais.

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