RONDONÓPOLIS (MT) — Relatos registrados em ata dentro da Escola Estadual Cívico Militar Joaquim Nunes Rocha colocaram no centro de uma polêmica, falas atribuídas a um professor de História durante aulas do 9º ano. Segundo consta nos documentos assinados por alunos e pela coordenação pedagógica, parte da turma afirmou ter se sentido constrangida com comentários feitos pelo docente durante atividades em sala.
De acordo com a ata, a escuta com os estudantes ocorreu no dia 6 de março de 2026. Na ocasião, alunos foram chamados pela coordenação pedagógica para relatar situações ocorridas durante uma aula em que a turma produzia uma redação sobre profissões.
Segundo consta no documento, uma das estudantes afirmou ter se sentido desconfortável durante uma discussão sobre a profissão de policial. Conforme o relato registrado, o professor teria comentado que para exercer essa profissão a pessoa deveria ter determinados hábitos, entre eles ouvir determinado estilo musical. A aluna interpretou a fala como uma referência indireta ao texto que havia produzido.
Ainda segundo consta na ata, a estudante relatou ter ouvido uma declaração em que o professor mencionou que “os pretos estão se jogando para o lado dos brancos”, comentário que, segundo ela, foi interpretado como racista.
Outro aluno também relatou um episódio ocorrido durante um diálogo sobre leitura. Segundo consta, ao comentar que “quanto mais eu leio, mais triste eu fico”, o estudante respondeu em tom de brincadeira que “a sua tristeza é a minha felicidade”. Conforme registrado em ata, o professor teria respondido: “Você vai para o inferno”. O aluno então retrucou: “Vamos juntos então”.
O mesmo estudante relatou ainda que, ao comentar que gostaria de ser caminhoneiro, ouviu do professor que não seria uma profissão digna e que seria uma atividade que “sofre muito”.
Outro aluno relatou que manifestou interesse em seguir carreira policial. Durante o diálogo em sala, segundo consta no documento, o professor teria afirmado: “Não sei o que vocês encucam tanto com policial, pois vocês estudam, moram na periferia, ouvem rap e querem ser policiais”.
Após ouvir os relatos, segundo consta na ata, a coordenação pedagógica informou aos estudantes que os fatos seriam analisados e que eventuais providências pedagógicas seriam tomadas pela gestão escolar.
Mãe procura direção
O caso ganhou novo capítulo no dia 13 de março, quando a mãe de um dos alunos procurou a direção da escola para tratar do assunto.
Segundo consta em nova ata registrada pela unidade, a mãe afirmou que o filho não quer mais frequentar as aulas do professor de História após os episódios relatados.
Ela afirmou que o estudante se sentiu incomodado com comentários feitos em sala e declarou que não aceita que o filho seja constrangido por morar na periferia ou pelas profissões que pretende seguir.
A mãe também questionou críticas atribuídas ao professor relacionadas ao agronegócio e afirmou que o filho deve ser respeitado independentemente da profissão que escolher.
Ela afirmou que buscará seus direitos caso a situação continue e pediu o afastamento do professor.
A direção da escola informou que irá conversar com o docente e orientá-lo sobre as falas relatadas. Ainda segundo consta na ata, o professor não pode ser dispensado pela unidade escolar, já que é servidor efetivo da rede estadual e qualquer medida administrativa depende da Diretoria Regional de Educação.
Redação © 2026 Marreta Urgente – Todos os direitos reservados- Este material pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sempre citando o link: www.marretaurgente.com.br



























