SINOP (MT) — Palco cheio, feira gigante do agro, clima de vitrine política. Mas o que era pra ser discurso de entrega virou munição solta pra todo lado. A Norte Show 2026 abriu os portões, o agro mostrou força… e o microfone virou lança-chamas. No palco, o governador Otaviano Pivetta resolveu dar uma “aula” de política ao vivo.
Pivetta subiu o tom. Disse que no Governo do Estado “não tem desvio”, que “não faz negócio com ninguém” e ainda jogou no ar que há prefeituras do interior com “negociado”. Sem nome, sem prova, sem filtro.
A fala pegou mal. E não é por acaso.
Num evento recebido com respeito pela própria prefeitura de Sinop, o governador resolveu colocar todos sob suspeita com uma frase genérica. “Tomara que não seja essa de Sinop”, disse. Tradução: atira pra todo lado e depois pede desculpa implícita.
Segundo consta, não houve apresentação de dados, investigação ou qualquer indicativo concreto que sustentasse a acusação. Ficou no campo da retórica.
E aí fica a pergunta: é discurso de campanha ou é denúncia?
Se for denúncia, cadê o nome? Cadê o documento? Cadê a investigação? Porque falar de corrupção no atacado, sem apontar quem, vira só barulho político.
Pivetta também elevou o tom contra o Congresso Nacional, falando em “sem-vergonhice crônica” e afirmando que o país anda de lado por causa disso. Mais uma generalização que agrada plateia, mas pouco resolve.
E no meio disso tudo, ainda sobrou tempo pra nostalgia política. “Saudade do Bolsonaro”, pra fechar com o público certo. Prato do dia servido quente.
E teve a frase que resume o clima: disse que “vai se divertir nessa campanha”. Divertir. Palavra leve pra um negócio que decide rumo de estado inteiro. Parece que a política virou parque de diversão, só faltou o carrinho de bate-bate.
Enquanto isso, promessas vieram no pacote. Garantia de asfalto onde ainda não tem e discurso de gestão limpa. Tudo no papel da intenção.
Mas o que ficou mesmo foi o tom.
Em vez de apresentar números e resultados, preferiu abrir fogo amplo, colocar suspeita no ar e deixar a dúvida pairando sobre quem não foi sequer citado.
Quando se acusa sem apontar, não se esclarece. Só se joga fumaça.
E em política, fumaça demais costuma esconder alguma coisa… ou só mostra que o discurso já entrou em modo campanha.





















