CAMPO NOVO DOS PARECIS (MT) — O que era pra ser obra virou problema. E dos grandes. A investigação aberta pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre um contrato de R$ 10 milhões firmado na gestão do ex-prefeito Rafael Machado começa a pesar no bolso… e no futuro político.
Segundo consta, há um conjunto considerado consistente de indícios de irregularidades na reforma da Praça da Cultura Alvair Rother. O que chama atenção é que a obra, vendida como reforma, na prática teria sido quase uma construção do zero.
De acordo com os apontamentos, houve demolição de estruturas antigas e implantação de novos itens, como pavimentação, parte elétrica, hidráulica, mobiliário e paisagismo. Ou seja, não era só “dar um tapa”. Era praticamente levantar tudo de novo.
E aí entra o ponto mais delicado. O contrato nº 98/2023 foi feito com a empresa Sirius Engenharia e Construção Ltda., via adesão a uma ata de registro de preços de Brasnorte. Só que esse tipo de contrato é voltado para manutenção e serviços já existentes, não para obra nova.
Na prática, segundo a investigação, pode ter sido usado um caminho mais fácil para fugir do rito normal de licitação. E isso, pela lei, é problema sério.
A praça ainda foi “inaugurada” às pressas, em dezembro de 2024, nos últimos dias do mandato. Mas, segundo a atual gestão, sem estar totalmente concluída.
Relatos de falhas na execução, vícios construtivos e inconsistências no contrato só aumentam o peso do caso. E não é só questão administrativa.
Se ficar comprovado dano ao dinheiro público, a conta chega pesada. Pode ter sanção, devolução de valores e até inelegibilidade.
Traduzindo: não é só desgaste. É risco real de ficar fora da eleição.
Rafael Machado, que vinha sendo apontado como nome para disputar vaga de deputado estadual, agora vê o cenário mudar. Antes era projeto. Agora é incerteza. No fim das contas, a praça virou símbolo. Não de entrega. Mas de problema.



























