RONDONÓPOLIS (MT) — De tempos em tempos surge a mesma história: investimento estrangeiro entra no Brasil e, junto, aparece o discurso de que o país está sendo “entregue”. Agora o alvo da vez é a China.
Com a ampliação de operações de empresas como a COFCO no agro, não faltou quem corresse pra internet pra falar em “perda de soberania”, “domínio silencioso” e até “comunismo infiltrado”.
A tese pode até render curtida. Mas não resiste a dois minutos de realidade.
Empresa chinesa não é ONG. Mas também não é invasão. É negócio. O Brasil sempre recebeu capital estrangeiro. Já teve americano, europeu, japonês. Agora tem chinês. Mudou o jogador, não a regra.
Dizer que o Brasil virou colônia por causa disso é forçar a barra. A terra continua sendo brasileira. A lei continua sendo brasileira. O imposto continua sendo cobrado aqui. Quem não cumprir regra, fecha.
O que existe hoje é interesse econômico.
Se a China não investir aqui, investe em outro lugar. E o produtor brasileiro perde mercado. O agro vive de venda, não de discurso.
Claro que existe risco. Mas é outro:
Quando o Brasil não tem estratégia; quando deixa concentração demais; quando não agrega valor; ai sim começa a dependência.
Agora o detalhe que desmonta muita fala bonita:
Tem gente gritando “domínio chinês” enquanto usa celular da Xiaomi, compra na Shein e faz pedido no AliExpress.
Isso também é dominação?
Ou só vira problema quando é conveniente politicamente?
No fim, o que se vê é discurso fantasioso sendo usado pra engajamento. Gente jogando pra galera enquanto a economia real continua girando.
Em resumo:
Não tem invasão. Não tem entrega de país.
Tem negócio. O risco não é o chinês esperto.
É o brasileiro desorganizado. Se souber jogar, cresce.
Se não, vira refém. O resto é barulho.

Marcelo Marreta é jornalista, editor e fundador do portal Marreta Urgente. Atua na cobertura de política, segurança pública e bastidores do poder, com uma linha editorial independente, direta e sem concessões. Participa de programas em rádios e atrações de alcance nacional, como o Bradock Show, levando análises críticas e posicionamentos firmes além do cenário local. Conservador de direita, defende a transparência, a liberdade de expressão e o direito à informação como princípios inegociáveis do jornalismo.






















