RONDONÓPOLIS (MT) — O trânsito de Rondonópolis segue entre os mais letais de Mato Grosso e mantém a cidade em nível crítico de risco viário. Dados oficiais apontam 99 mortes em 2024, o que representa uma média de uma pessoa morta a cada 3,69 dias nas ruas e avenidas do município.
Mesmo diante desse cenário, o vereador Marisvaldo (União Brasil) criticou na tribuna da Câmara a instalação de radares na Rua Dom Pedro II e afirmou que não haveria acidentes suficientes no local para justificar a fiscalização eletrônica.
“Eu não vejo ali tanto acidente fatal naquela Dom Pedro II para colocar radar”, declarou o parlamentar, sugerindo que a medida levaria trabalhadores a “trabalhar para pagar multa”. disse o vereador.
No entanto, os dados mostram o oposto, um levantamento técnico de sinistros viários aponta que a Rua Dom Pedro II está entre os dez logradouros com maior número de acidentes em Rondonópolis, ocupando a 6ª posição no ranking municipal.
Além disso, a via apresenta alto índice de atropelamentos, um dos tipos mais graves de ocorrência urbana.
Acidentes por tipo
| Tipo de atropelamento | Total |
|---|---|
| Por moto | 23 |
| Por carro | 20 |
| Por ônibus/caminhão | 3 |
| Outros | 4 |
| Total geral | 50 |
Fonte: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Rondonópolis/MT – SAMU
Ou seja, o problema não é ausência de risco. É justamente o contrário: presença recorrente de conflitos entre veículos e pedestres. Radar é colocado onde há risco, não só onde já morreu gente.
Na engenharia de trânsito, a implantação de fiscalização eletrônica considera volume de tráfego, histórico de acidentes, travessia de pedestres e características da via, não apenas mortes registradas.
A Dom Pedro II reúne exatamente esses fatores: fluxo intenso, travessias urbanas e histórico relevante de sinistros. Esperar mortes para agir seria falha de prevenção.
A crítica do vereador expõe um problema recorrente no debate sobre trânsito em Rondonópolis: a percepção individual substituindo dados técnicos.



























