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    Festa de formatura, férias de luxo no litoral e madrinha de casamento: a vida de Anna Carolina Jatobá fora da cadeia

    Sentenciada a 26 anos e oito meses de cadeia pela morte da enteada Isabella Nardoni, Anna Carolina Jatobá está cumprindo pena no regime aberto desde junho de 2023. No entanto, sua vida de condenada – prevista para acabar em 2032 – está longe de ser uma penitência. Nesse período, ela já foi mergulhar na praia do Guarujá e participou de uma festa de formatura. Na semana que vem, – pasmem – ela irá a uma festa de casamento noturna como madrinha.

    A primeira incursão da egressa de Tremembé em festas ocorreu no dia 3 de fevereiro de 2024. Ela foi à formatura do seu filho mais velho, hoje com 19 anos. A cerimônia ocorreu às 21h no bairro da Mooca, na Zona Leste de São Paulo.

    Pelas regras do regime aberto, Anna Jatobá tem de estar em casa religiosamente entre as 20h e as 6h da manhã. Outra condição obrigatória para ela cumprir a pena em liberdade é permanecer todos os finais de semana em casa o dia inteiro, incluindo feriados, além de trabalhar diariamente. Essas regras são mais rígidas para Anna Jatobá porque em sua ficha criminal está escrito “réu autor de crime hediondo”.

    Para continuar na rua após esse horário, a condenada conseguiu uma autorização assinada no dia 24 de janeiro pela juíza Nidea Rita Coltro Sorci. O Ministério Público tinha dado parecer favorável para essa escapadela de Anna Jatobá. “Trata-se de situação excepcional e devidamente justificada, visando a participação ativa da sentenciada na vida do filho em evento singular e simbólico”, escreveu o promotor Alfredo Mainardi Neto em 24 de janeiro de 2024.

    A bem da verdade, a benevolência da Justiça com Anna Jatobá começou em 4 de dezembro do ano passado. Nesse dia, ela pediu para passar as férias num condomínio de luxo no Guarujá. No pedido, a condenada alegou que seus filhos passariam as férias escolares no litoral. Para convencer a Justiça da viagem de veraneio, os defensores de Anna Jatobá recorreram ao amor materno. “Seus filhos estão atualmente com 16 e 18 anos. Os dois passaram os últimos 15 anos (quase a totalidade de suas vidas) sem a presença da mãe, o que, consequentemente, gerou um vácuo afetivo, que só poderá ser preenchido com o convívio e estreitamento da relação familiar”, argumentaram os advogados Marcelo Gaspar Gomes Raffaini e Mariana Calvelo Graça.

    Dessa vez, o Ministério Público não concordou com a regalia. “O pedido de autorização para realizar viagem de férias não constitui justificativa plausível para o seu deferimento, além de se mostrar incompatível com o anseio de construção de uma sociedade séria ao observar uma cidadã que se encontra em cumprimento de pena após ceifar a vida da enteada, de forma dolosa, viajar para outra comarca em férias”, escreveu o promotor Mainardi Neto.

    Para tentar impedir que Anna Jatobá fosse à praia, o promotor argumentou mais: “A sentenciada se encontra em cumprimento de pena e, para ser autorizado seu afastamento da comarca de seu domicílio, deve apresentar motivo realmente relevante e não apenas as conveniências pessoais e familiares”. O Ministério Público também lembrou que uma das regras do regime aberto é que a sentenciada tem de trabalhar diariamente e o emprego dela é em São Paulo e não no Guarujá. Anna Jatobá avisou que manteria suas atividades laborais de forma remota.

    Todos os argumentos de Anna Jatobá foram aceitos pela Justiça, embora o Ministério Público tenha se manifestado contrário em três pareceres. A juíza Nidea Rita concedeu o veraneio a ela numa sentença assinada no dia 7 de dezembro. Com esse benefício, a egressa de Tremembé curtiu o litoral com os filhos por 30 dias – entre 19 de dezembro a 18 de janeiro.

    O próximo rolê de Anna Jatobá será a festa de casamento de Beatriz de Souza Moura e Ronny Mota Leocadio. O matrimônio ocorrerá no dia 15 de março, em São Paulo. Para comparecer à festa, a presidiária informou à Justiça que a noiva é afilhada do seu marido, Alexandre Nardoni, preso em Tremembé por ter matado a filha de 5 anos ao jogá-la do sexto andar. Padrinho dos noivos, Nardoni também foi convidado, mas ele está preso em Tremembé cumprindo uma pena de 30 anos e não poderá comparecer.

    No pedido feito à Justiça para dar as caras no casamento, Anna Jatobá disse que a festa é importante para ela se ressocializar, pois “se trata de um evento importante para fortalecer os vínculos familiares”. Até os noivos assinaram de próprio punho uma declaração enviada à Justiça justificando a presença do casal de assassinos na festa para troca de alianças. “Eu, Beatriz de Souza Moura, e meu futuro esposo, Ronny Mota Leocadio, iremos nos casar no dia 15/03/2024, a partir das 20 horas. Convidamos Alexandre Alves Nardoni e sua esposa, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, para serem nossos padrinhos de casamento. A presença deles seria importante demais para nós por ser um momento único e especial em nossas vidas”, escreveram os noivos.

    Para o casório, o Ministério Público também deu parecer contrário. O promotor Mainardi Neto ponderou dessa vez que, ter concordado com a presença de Anna Jatobá na formatura do filho, foi uma excepcionalidade. Prevendo que a Justiça iria autorizar que a condenada fosse à festa, o promotor ainda sugeriu que seja instalada uma tornozeleira eletrônica em Anna Jatobá para que se possa monitorar os passos da condenada.

    Na semana passada, Anna Jatobá recebeu a boa notícia. A juíza Nidea Rita deu autorização para ela ir ao casamento, mesmo sendo após as 20h. E ainda dispensou o uso da tornozeleira alegando que o acessório não está prescrito na decisão que promoveu a sentenciada ao regime aberto.

    Situações envolvendo saúde também já foram motivos para Anna Jatobá ficar fora de casa em horários alternativos. No dia 27 de novembro do ano passado ela foi internada no Hospital San Paolo (HSANP), no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo, para retirada de uma pedra na vesícula biliar. A cirurgia foi realizada pelo médico Jairo Oliveira Patrício por meio de videolaparoscopia. “Defiro o pedido, devendo comprovar o procedimento cirúrgico”, sentenciou a juíza que executa a pena de Anna Jatobá.

    Anna Jatobá voltou ao noticiário após visitar o túmulo de Isabella Nardoni no Cemitério Parque dos Pinheiros com seus dois filhos, na quarta-feira (28/02). Ela foi até lá para participar do funeral da sua sogra, Maria Aparecida Alves Nardoni, morta aos 67 anos. Alexandre Nardoni conseguiu uma autorização judicial e também compareceu ao enterro da mãe. Mas ele não foi até a sepultura da filha.

    A sentença de 26 anos de Anna Jatobá começou a contar no dia 3 de abril de 2008, quando foi presa temporariamente. Ela foi condenada por ter esganado Isabella Nardoni, iniciando a dinâmica do crime que terminou com o seu marido arremessando a menina de 5 anos do sexto andar. Em 2017, após cumprir 34% da sentença, ela foi promovida ao regime semiaberto, saindo cinco vezes por ano da cadeia para passar sete dias em casa.

    Com a pandemia, as saidinhas foram suspensas. Em 2020, Anna Jatobá acabou sendo punida porque resolveu fazer de dentro da penitenciária uma videochamada para falar com os filhos, o que é proibido. Ainda assim, ela não teve o regime semiaberto revogado e ganhou a tão sonhada liberdade três anos depois da infração.

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