RONDONÓPOLIS (MT) – A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura a situação da Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis encontrou, nesta quinta-feira (11), um cenário preocupante no Serviço de Arquivo Médico (Same). Documentos antes digitalizados e organizados em prateleiras agora estão amontoados em paletes no chão, sem cronologia e sem lógica de arquivamento, dificultando qualquer acesso.
Denúncia chega ao Marreta Urgente
A reportagem recebeu denúncias de que, no prédio anterior, os prontuários eram armazenados em prateleiras adquiridas com recursos da própria Santa Casa e que permitiam rápida localização. A mudança de sede, no entanto, teria deixado o sistema em colapso: caixas empilhadas sem padrão, fichas ambulatoriais misturadas a prontuários de internação e nenhum sistema de busca eficiente.
A denúncia foi além: imagens de redes sociais mostram prateleiras idênticas às que teriam sido compradas pela Santa Casa sendo anunciadas à venda em um perfil do Facebook. O questionamento que surge é inevitável: seriam essas as mesmas estruturas pagas com recursos do hospital?




O contrato e os R$ 1,9 milhão
A empresa Precisa Ltda. foi contratada para digitalizar o acervo e recebeu cerca de R$ 1,9 milhão pelo serviço. Em depoimento à CEI, no início de agosto, a representante da empresa, Cláudia Lucila Pereira de Oliveira, afirmou que seria possível localizar qualquer prontuário apenas pelo nome do paciente. A vistoria desmentiu essa versão.
A denúncia aponta ainda que a mudança de prédio teria ligação com a falta de acordo na renovação contratual entre a Santa Casa e a Precisa Ltda. A empresa teria exigido reajustes acima do estipulado, o que travou a negociação.
Diante das falhas encontradas, a CEI da Santa Casa foi prorrogada por mais 90 dias. Uma empresa de auditoria independente será contratada pela Câmara Municipal para sistematizar informações, cruzar documentos e verificar se o contrato milionário foi ou não cumprido.



A grande pergunta
Enquanto vereadores e auditores avançam, uma pergunta ecoa: a CEI da Santa Casa vai descobrir se houve irregularidade no sumiço das prateleiras, na desorganização do arquivo e no contrato de R$ 1,9 milhão?
O caso permanece sob investigação, mas já expõe o que parecia impensável: o patrimônio documental de um dos principais hospitais da região relegado ao improviso, cercado de suspeitas e com indícios de que a população pode estar pagando caro por um serviço que não foi entregue.



























