Em uma audiência que marcou o início dos depoimentos para a Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Rondonópolis, a ex-diretora executiva da Santa Casa, Bianca Talita Franco, trouxe à tona denúncias significativas sobre a gestão do hospital. A oitiva, ocorrida na última quarta-feira (15), lançou luz sobre alegações de práticas antiéticas e financeiras envolvendo médicos do hospital.
Apoiando suas acusações com documentos entregues previamente aos membros da CEI, Talita sustentou suas denúncias sobre a existência de uma suposta “máfia de médicos” que operaria na Santa Casa. Segundo ela, alguns profissionais estariam cobrando preços elevados para procedimentos realizados no hospital, enquanto realizavam os mesmos serviços em clínicas particulares por valores inferiores. “Existem equipes, como anestesistas, que cobram R$ 6 mil na Santa Casa e R$ 4 mil em outros hospitais”, exemplificou a ex-diretora.
Durante o depoimento, Talita detalhou que as tentativas de negociação com essas equipes de médicos para ajustar os valores foram infrutíferas, culminando na contratação de uma empresa externa para manter as operações do hospital. Tal decisão, segundo ela, acarretou um processo judicial por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM), aumentando ainda mais a tensão entre as partes envolvidas.
“O processo foi severo, mas necessário para não perder o contrato com o consórcio e evitar a devolução de R$ 24 milhões”, explicou Talita, ao detalhar as dificuldades enfrentadas pela Santa Casa em razão das exigências e bloqueios impostos por alguns profissionais.
Pressionada a revelar nomes durante a audiência, Talita preferiu resguardar essa informação, orientando que a comissão solicitasse formalmente a lista dos coordenadores das equipes de anestesia, vascular, urologia e neurologia. Seu depoimento deixou clara a complexidade dos desafios enfrentados pela administração do hospital e a necessidade de uma investigação mais profunda sobre as alegações feitas.
A audiência foi um passo importante para a CEI, que continua a apurar os fatos por trás das alegações de corrupção médica e má gestão, com o objetivo de sanear e trazer maior transparência às operações da Santa Casa de Rondonópolis.
























