O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, foi preso em flagrante após matar a tiros dois colegas de profissão em um restaurante na região de Barueri na noite de sexta-feira (16). As vítimas foram os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinícius dos Santos Oliveira, de 35. A Polícia Civil investiga se o duplo homicídio foi motivado por disputa por contratos na área da saúde pública.
Câmeras de segurança mostram que o confronto começou dentro do restaurante e terminou fora, com Carlos Alberto abrindo fogo contra os dois. Ele foi preso no local e teve a prisão convertida em preventiva.
Autoridades afirmam que Carlos Alberto e Luís Roberto eram concorrentes diretos no mercado de contratos de gestão hospitalar, o que teria gerado atritos e ameaças entre eles. Vinícius trabalhava com Luís Roberto. Familiares disseram que os desentendimentos já vinham acontecendo há meses antes do encontro que terminou em tiros.
A investigação também apura possível ligação a disputas contratuais maiores e ao ambiente de negócios entre empresas que atuam com contratos públicos de saúde. Há menção de que estes contratos estavam no foco de interesses comerciais e disputas entre grupos.
Contratos em Mato Grosso
O que chama atenção no caso é que Carlos Alberto não é apenas um médico qualquer. Ele é proprietário da Cirmed Serviços Médicos Ltda, empresa que tem contratos ativos com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso e com hospitais da rede pública do estado.
📑 CONTRATOS DA CIRMED EM MATO GROSSO
| Nº | Unidade / Órgão | Serviço Contratado | Valor do Contrato | Vigência | Situação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Hospital Regional de Rondonópolis | Gestão da UTI Adulto | R$ 4.259.000,00 | Até out/2026 | Ativo |
| 2 | Secretaria de Estado de Saúde de MT (SES-MT) | Serviços de Nefrologia e Diálise | R$ 5.420.000,00 | 2026 | Ativo |
| 3 | SES-MT / Unidades Hospitalares do Estado | Serviços médicos especializados | ≈ R$ 5.500.000,00 | Contratos vigentes | Ativos |
Estes contratos garantem que a empresa de Carlos Alberto atua de forma ampla e contínua na atenção à saúde pública em Mato Grosso, em serviços essenciais como medicina intensiva e nefrologia.
Em outra frente da investigação, há relatos de que o atirador já foi citado em apurações envolvendo suspeitas de propina em contratos hospitalares, ligadas a organizações sociais investigadas pela Polícia Federal, embora a Cirmed não tenha sido formalmente alvo direto dessas apurações.
Reação da empresa
Após a repercussão, a Cirmed publicou nota afirmando que o duplo homicídio se trata de um evento “estritamente pessoal e isolado do sócio” e que não representa os valores ou operações da instituição, garantindo que os serviços e contratos seguem normalmente.
A nota tenta separar a imagem da empresa do ato cometido pelo médico, afirmando que “não haverá prejuízo à continuidade dos serviços essenciais e contínuos”.



























