CAMPO GRANDE (MS) — A eleição da Miss Campo Grande 2025 terminou com coroa, faixa e aplausos no palco, mas também deixou uma pulga atrás da orelha fora dele. O motivo? A vencedora, Lauriane Pires, não é natural nem residente da capital sul-mato-grossense. A nova Miss é de Rondonópolis (MT), detalhe que rapidamente transformou o concurso em assunto quente nas redes sociais e nos bastidores do mundo miss.
Empresária e modelo, Lauriane garantiu o título que a credencia para disputar o Miss Universe Brasil 2025, realizado em Campo Grande. A escolha, no entanto, provocou questionamentos imediatos sobre os critérios de representatividade, já que, tradicionalmente, concursos municipais servem para eleger candidatas com vínculo direto com a cidade que representam.

A própria vencedora tratou de rebater as críticas. Segundo Lauriane, o concurso segue regras nacionais e tem caráter democrático. “O Miss Universe Brasil abre espaço para mulheres de diferentes trajetórias. Representar Campo Grande foi uma honra, mesmo sendo de Rondonópolis”, declarou.
Nas redes sociais, a reação foi dividida. Parte do público celebrou a flexibilização das regras e a ampliação de perfis no concurso. Outra parte foi mais direta e ácida, questionando se faz sentido uma Miss municipal não ter ligação com o município. Em comentários que viralizaram, internautas resumiram a polêmica com ironia: “Miss Campo Grande sem ser de Campo Grande é novidade até para quem acompanha concurso há anos.”
Especialistas no universo dos concursos de beleza lembram que a prática não é inédita. Em edições anteriores, em diferentes estados, candidatas já representaram cidades ou estados distintos de sua origem, amparadas por regulamentos que priorizam critérios técnicos, desempenho e elegibilidade nacional. Ainda assim, admitem que a escolha sempre gera desgaste e ruído público.
E é justamente aí que entra a cutucada que ninguém ignorou. Rondonópolis, mais uma vez, apareceu em destaque — mesmo quando o palco estava em outro estado. A cidade mato-grossense segue “exportando” candidatas de alto nível, a ponto de produzir Miss até no território vizinho. Campo Grande coroou, mas foi Rondonópolis quem colocou o material humano na passarela. Um detalhe que virou provocação nas redes e alimentou o debate: a coroa ficou em MS, mas o DNA da Miss é 100% MT.
Agora, com a faixa no peito e a polêmica na bagagem, Lauriane Pires avança para a etapa nacional do concurso. E a discussão segue aberta: concursos de beleza são sobre representar um lugar ou apenas sobre ganhar a coroa? Enquanto isso, Rondonópolis continua fazendo o que já virou rotina — chamando atenção, mesmo quando a disputa acontece fora de casa.



























