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    Cientistas e ativistas pedem aos franceses que parem de consumir pernas de rãs

    A perna de rã é uma das iguarias mais consumidas na França. Mas esse hábito, de acordo com uma carta assinada por 557 especialistas da ciência, conservação da natureza e medicina veterinária e endereçada ao presidente francês, Emmanuel Macron, é “destrutivo para a natureza” e põe em perigo os anfíbios na Ásia e no sudeste da Europa.

    Os autores do documento, uma iniciativa das instituições Pro Wildlife, Robin des Bois e Vétérinaires pour la Biodiversité, pedem ao governo do país que tome medidas para colocar este comércio sob o controle internacional da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) para ajudar a conservar os animais.

    “As populações de rãs nativas de França e da UE estão protegidas contra a exploração comercial; a UE não deve mais permitir que a sobre-exploração de espécies e populações de rãs nos principais países fornecedores ameace não só as espécies e populações-alvo, mas também os respetivos ecossistemas e os seus serviços para os seres humanos”, diz a carta.

    E continua: “Consideramos que a França tem uma responsabilidade particular de assumir a liderança nesta questão. Por favor, organize o seu Ministério do Meio Ambiente para tomar as medidas necessárias e se tornar o defensor da conservação dos anfíbios na próxima reunião da CITES.”

    De acordo com um estudo de 2022 realizado pela Pro Wildlife e a Robin des Bois, a União Europeia importa anualmente uma média de 4.070 toneladas de pernas de rã congeladas, sendo que mais de 3.000 toneladas vão para a França. As importações anuais do bloco equivalem a 80-200 milhões de rãs, a maioria provenientes de populações selvagens, em particular da Indonésia, da Turquia e da Albânia – também são importadas do Vietnã, mas, neste caso, provenientes de explorações agrícolas.

    Sandra Altherr, chefe de ciência da Pro Wildlife, enfatizou que a prática “não está de forma alguma alinhada” com a estratégia da União Europeia para a vida selvagem. “É um absurdo: as populações naturais de rãs aqui na Europa estão protegidas pela legislação da UE. Mas a UE ainda tolera a recolha de milhões de animais em outros países – mesmo que isso ameace as populações de rãs desses países”, afirmou.

    Populações estão diminuindo

    Pesquisas de campo recentes indicam que diversas espécies de rãs já estão sofrendo um declínio significativo. Por exemplo, a rã de rio com presas (Limnonectes macrodon) aparentemente desapareceu das importações comerciais para França. Mesmo tipos comuns, como a rã-caranguejeira (Fejervarya cancrivora) e a rã-do-arrozal (Fejervarya limnocharis) estão diminuindo devido às intensas colheitas comerciais e exportações.

    Os especialistas pontuam que isso é preocupante também porque esses animais desempenham um papel crucial no funcionamento do ecossistema, e as capturas contínuas perturbam as suas funções.

    “Os franceses estão condenados a serem sapos? É hora de lembrar que os sapos também são ajudantes voluntários dos agricultores. Quando desaparecem, as pragas proliferam e o uso de pesticidas aumenta”, apontou Charlotte Nithart, presidente da Robin des Bois.

    Alain Moussu, presidente dos Vétérinaires pour la Biodiversité, completou. “Os veterinários aderiram em grande número a esta iniciativa porque são sensíveis à crueldade que prevalece neste mercado e preocupados com os desequilíbrios ecológicos causados pelo colapso das populações de anfíbios e pela riscos subsequentes para a saúde humana associados ao aumento das populações de mosquitos”.

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