Gilson Castelan de Souza, que foi preso por esfaquear e matar Luana Cristina Ferreira Alves, de 32 anos, nessa terça-feira (28), em Campo Grande (MS), foragido desde junho de 2022, quando matou a ex-companheira Silbene Duroure da Guia, de 40 anos, também a golpes de faca, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Agora, três anos depois, a família da vítima recorda com dor a morte de Silbene.
À TV Centro América, a mãe de Silbene e servidora pública, Antônia Maria, contou que a filha era uma pessoa muito bondosa, sempre disposta a ajudar os outros, e que esse cuidado com os outros a motivou a cursar técnico em enfermagem. Silbene estava no quinto semestre do curso quando foi assassinada.
A mãe de Silbene relembrou o relacionamento da filha com Gilson e contou que, desde o início, não confiava no suspeito. Segundo Antônia, o comportamento do homem já dava sinais de alerta, e mesmo com separações e recomeços, a filha seguia tentando manter a vida e os estudos.
“Na época falei para ela que não gostei dele. Quando ela chegou com ele aqui em casa eu falei: ‘não gostei desse rapaz aí não, que ele não tem uma cara boa’. Só que ela já estava envolvida com ele. Eles ficaram namorando acho que nove meses. Aí eles foram morar juntos”, disse.
De acordo com a servidora, o relacionamento do casal era marcado por idas e vindas, com separações frequentes. Ainda assim, nos momentos em que estavam afastados, a filha sempre se dedicou ao trabalho e aos estudos, buscando construir uma vida estável para si e para os filhos.
“Eles ficaram cerca de cinco anos juntos e tiveram o filho caçula. Depois, se separaram por causa do comportamento agressivo dele, mas reataram e voltaram a morar juntos. Na época do crime, ela já estava separada há seis meses, morava comigo, trabalhava cuidando de idosos e fazia estágio no curso técnico de enfermagem”, relembrou.
Antônia lembrou como ficou sabendo da morte da filha. Ela explicou que Silbene trabalhava cuidando de idosos e, na manhã seguinte ao crime, não apareceu para atender um casal de clientes.
“Fiquei sabendo quando esse casal entrou em contato com minha outra filha que estava em Portugal, falando que a Silbene não tinha aparecido para trabalhar. Depois, a filha deles ligou para minha neta e falou: ‘Se vocês quiserem ver sua mãe, vocês vêm aqui, ela está morta”, informou.
Sobre os três anos em que o assassino permaneceu foragido, Antônia falou do medo constante que sentia e da sensação de alívio após a prisão.
“Me sinto aliviada. Sentia medo de sair na rua, por ele estar solto e poder fazer maldade ainda para minha família. Espero que a Justiça prenda ele e que ele pague pelo que fez com a minha filha e com a outra pessoa também. Ele tem que pagar, não pode ficar impune”, concluiu.
Rogério Adriano da Silva, irmão de Silbene e jornalista, falou sobre as lembranças da infância ao lado da irmã e a alegria que ela trazia à família. “Acho que seria pouco de muitas coisas boas que ela representa. Quando éramos crianças, subíamos no pé de manga, no telhado, fazendo bagunça”.
Ao recordar o dia em que descobriu o assassinato da irmã, Rogério, que é jornalista, falou sobre o choque e a tristeza. “Estava cobrindo um acidente com vítima fatal na Júlio Campos quando recebi a ligação sobre um feminicídio. Chegando lá, vi o corpo dela e não reconheci de imediato, foram 14 facadas, quase todas no rosto. Quando o delegado falou o nome, eu disse: ‘doutor, essa é minha irmã.’ Foi um dia muito triste para nossa família”.
Rogério relembrou o choque de ver a irmã Silbene vítima de violência extrema, algo que jamais imaginava enfrentar tão de perto. “Nós que estamos nessa profissão, a gente nunca imagina que algo assim vai acontecer na nossa própria família. Aquele dia foi muito triste mesmo.”



























