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    Abilio espalha minas no próprio caminho dentro do PL; critica possível alianças e diz que foco agora é tapar buraco

    CUIABÁ (MT) — O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, voltou a causar desconforto dentro do próprio campo político ao esticar o discurso ideológico a um ponto que começa a gerar mais dúvidas do que alinhamentos.

    Depois de classificar o MDB como incompatível com a direita e atacar qualquer tentativa de diálogo com o centro, Abilio avançou mais uma casa. Em declarações recentes, deixou no ar a ideia de que até legendas tradicionalmente associadas ao bolsonarismo estariam se afastando do que ele considera “direita de verdade”.

    A fala caiu mal nos bastidores. Afinal, trata-se do mesmo campo político que abriga Jair Bolsonaro e que sustentou o discurso conservador nos últimos anos. Ao levantar esse tipo de questionamento, o prefeito acaba colocando sob suspeita o próprio espaço onde está inserido.

    Ao mesmo tempo, Abilio demonstrou descontentamento com a possibilidade de o senador Wellington Fagundes (PL) se aproximar do MDB, presidido em Mato Grosso pela deputada estadual Janaina Riva. Chegou a cogitar não participar diretamente do pleito estadual do partido.

    “É uma decisão dele. O PL tem uma restrição nacional que não anda com partidos de esquerda. Aqui em Mato Grosso o MDB e o PSD são de esquerda”, afirmou.

    A declaração ampliou o ruído interno. Lideranças do PL avaliam que a postura intransigente cria desgaste desnecessário e pode empurrar o partido para um isolamento perigoso às vésperas de 2026.

    O problema não é apenas o conteúdo, mas o método. A cada nova entrevista, Abilio afunila o conceito de direita, reduz aliados potenciais e transforma divergência estratégica em desvio ideológico. O resultado é um ambiente onde ninguém sabe exatamente quem ainda “passa no filtro” do discurso.

    A contradição fica ainda mais evidente quando se olha para o passado recente. Durante o governo Bolsonaro, o campo conservador dialogou com o centro, buscou alianças e construiu maioria no Congresso. O que naquele momento foi tratado como governabilidade, agora parece virar heresia no discurso local.

    Em meio a esse embate ideológico, Abilio também afirmou que está mais focado em resolver os problemas da capital, como buracos nas ruas e limpeza urbana.

    E, nesse ponto, ele está certo. Foi eleito para cuidar da cidade. Resolver buraco, organizar coleta, enfrentar demandas reais da população. Gestão municipal não se faz em palanque estadual.

    O que causa estranheza é o contraste. Enquanto diz estar concentrado na administração de Cuiabá, mantém o debate eleitoral aquecido e amplia a tensão dentro do próprio partido.

    Quanto mais endurece o discurso em nome de uma “direita de verdade”, menos espaço sobra para alianças. E, na política real, sem alianças não há maioria.

    No fim, o prefeito corre o risco de virar refém das próprias palavras. Fala muito, estica a narrativa e, quando percebe, já não há espaço nem dentro do próprio campo político.

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