PRIMAVERA DO LESTE (MT) – Sérgio Machnic não chegou ontem. Está em Primavera há 44 anos, antes mesmo da emancipação do município. Viu a cidade nascer no barro, crescer no braço e virar potência no asfalto.
Agora, como prefeito, ele enfrenta o teste mais duro da gestão: fazer a saúde funcionar.
O programa Vira Saúde é mais do que uma ação administrativa. É a biografia política de Sérgio colocada na mesa. Produtor rural, homem de fala curta e direta, ele decidiu atacar o problema pela raiz: a atenção básica.
Enquanto muita gente olhava apenas para o caos da UPA, Sérgio foi buscar o buraco antes da emergência. E encontrou. A cobertura da atenção primária estava baixa demais para uma cidade que explodiu em crescimento populacional.
A meta é ousada: sair de 62% para 95% de cobertura até 2028. Na prática, é levar médico, prevenção e cuidado para mais perto da população, antes que o problema vire fila, dor e desespero.
Sérgio costuma dizer que saúde não é número frio em planilha. Para ele, é vida real. É o amigo que morreu cedo por diabetes. É o câncer descoberto tarde. É a família que sofre porque o poder público chegou depois da doença.
Por isso, o Vira Saúde virou sua grande aposta. Abrir posto à noite, ampliar atendimento, zerar filas de exames em 90 dias e fortalecer o médico de família não são promessas pequenas. São compromissos que cobram resultado.
E Sérgio sabe disso.
Ele foi eleito com a saúde no centro do debate. Agora, não tem como terceirizar a conta. Se der certo, o programa pode marcar sua gestão como a virada que Primavera precisava. Se falhar, será justamente na área onde a população mais cobra.
No fundo, o Vira Saúde é o teste de Sérgio Machnic.
O pioneiro que viu Primavera nascer agora tenta provar que a cidade pode crescer sem deixar sua gente adoecer na fila.



























