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    Empresário aceita devolver R$ 400 mi desviados do INSS em delação premiada

    O empresário Maurício Camisotti se comprometeu a devolver R$ 400 milhões aos cofres públicos em seu acordo de colaboração premiada.

    O valor foi acertado entre Camisotti e a Polícia Federal na delação que foi fechada e enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana para homologação.

    O material foi enviado para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet deve se manifestar sobre os termos do acordo antes de o ministro André Mendonça decidir o destino da colaboração.

    O valor de R$ 400 milhões está previsto em uma das cláusulas do acordo, segundo pessoas com acesso à investigação informaram ao SBT News.

    O montante coincide com o repasse que o INSS fez para a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) de 2023 a 2025.

    A associação foi uma das maiores beneficiadas com as fraudes dos descontos ilegais, e empresas ligadas a Camisotti receberam repasses da Ambec, segundo dados fiscais obtidos pelos investigadores.

    Procurada, a defesa de Camisotti não se manifestou.

    A Polícia Federal convocou 31 investigados do caso INSS para prestar depoimento a partir da próxima semana.

    A nova rodada de oitivas foi organizada pela Polícia Federal após Camisotti revelar novas informações sobre a dinâmica das fraudes do INSS.

    Entre os convocados estão ex-assessores do senador Weverton Rocha (PDT-MA), o filho do “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

    Maurício Camisotti é tido como um dos principais operadores do esquema e foi preso no ano passado junto ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

    No fim de março, Camisotti foi transferido da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para facilitar as negociações da colaboração. Um dos benefícios previstos em caso de homologação é a transferência para a prisão domiciliar.

    As investigações apontam que o esquema de fraudes no INSS funcionou entre 2019 e 2024 e pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.

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