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    ‘Não era por beleza, sim necessidade’, afirma filha após morte de empresária de Tangará da Serra durante cirurgia estética

    Yasmin Souza Menezes, filha da empresária Jéssica Santiago que morreu em uma cirurgia estética, afirmou ao g1 nesta quarta-feira (11) que o procedimento “não era por beleza, e sim por necessidade”.

    A mãe dela morreu no dia 17 de fevereiro, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá.

    Os dois médicos responsáveis foram indiciados na segunda-feira (9) pela Polícia Civil por suspeita de homicídio culposo. Em depoimento, eles não falam em erro e citam que a lesão encontrada no corpo da vítima provavelmente foi fruto da pressão durante a reanimação.

    Enquanto isso, o Conselho Regional de Medicina do estado (CRM-MT) informou, em nota, que abriu uma sindicância para verificar se houve alguma infração ao Código de Ética Médica. Esse é um procedimento preliminar para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão e tramitam sob sigilo.

    Ao g1, Yasmin explicou que a mãe fez bariátrica em 2020 e ficou com excesso de pele, o que gerou nódulos que inflamavam e precisou passar por uma segunda cirurgia.

    “Ela fez a retirada de pele em excesso de gordura ainda na primeira cirurgia, onde foi colocado um fio de Polidioxanona que deu rejeição. Por conta disso, surgiram os nódulos, que inflamavam e geravam pus, por isso precisou de uma nova cirurgia”, afirmou.

    Por isso, ela conta que a cirurgia em Tangará seria para reverter esse quadro na perna.

    “Ela ia reabrir novamente e tirar os nódulos das pernas, e ia aproveitar a anestesia para fazer a lipo. Então, não era por beleza, e sim por necessidade”, contou.
    Yasmin destacou que a mãe detestava passar por cirurgias e que guardou até um áudio dizendo isso.

    Ela conta ainda que a mãe sempre foi batalhadora, que começou a vender roupas ainda no tempo em que dava aulas de manhã e à tarde, enquanto à noite se dedicava ao empreendedorismo, o que deu origem à loja de roupas em Pontes e Lacerda, onde a família mora.

    Por lá, Jéssica também deu aulas em uma comunidade indígena no território de Sararé, antes do local ser invadido pelo garimpo ilegal e por facções criminosas.

    A lojinha começou pequena, na porte da casa da avó e os primeiros clientes de Jéssica eram as colegas de trabalho, as professoras, e alguns alunos. De lá para cá, as vendas aumentaram e elas se mudaram para o centro da cidade.

    Porém, desde a morte de Jéssica, agora a Yasmin pensa em sair do aluguel e fixar a loja em outro ponto próximo da casa da avó, onde a família vai manter as vendas enquanto ela vai estudar odontologia em Cuiabá.

    “Era o sonho da minha mãe me ver formada em odontologia”, disse.

    Investigação
    Segundo a investigação da Polícia Civil, um laudo de exame necroscópico e um laudo pericial complementar apontaram que a causa da morte de Jéssica foi identificada como pneumotórax bilateral provocada por perfuração da parede torácica posterior, ou seja, uma lesão compatível com instrumento cirúrgico usado durante o procedimento estético.

    “A análise pericial estabeleceu nexo técnico entre o procedimento cirúrgico e as lesões identificadas, que resultaram em grave comprometimento da função respiratória e, posteriormente, no óbito da paciente”, diz trecho do inquérito.
    A investigação é resultado da coleta de depoimentos, requisição de prontuários médicos e documentos hospitalares, bem como a realização de exames periciais pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

    Diante disso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que deve analisar as provas e adotar medidas judiciais.

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