MATO GROSSO — O deputado estadual Chico Guarnieri (PRD) voltou ao centro de uma investigação ambiental que pode resultar em nova ação judicial por desmatamento ilegal de área da floresta amazônica em Barra do Bugres. A procuradora da República Lilian Miranda Machado determinou a abertura de procedimento específico para tratar exclusivamente do desmate atribuído ao parlamentar, estimado em cerca de 73 hectares.
A movimentação ocorre após a Justiça Federal extinguir, sem julgamento do mérito, uma ação civil pública que reunia quatro proprietários rurais e três áreas distintas de desmatamento em um único processo. O entendimento foi de que cada área deveria ser tratada separadamente. Na prática, o processo caiu na forma, mas não no conteúdo.
Ou seja: as provas permanecem válidas e o caso foi desmembrado. Agora, Guarnieri responderá sozinho pelo polígono identificado por satélite como CodeAlerta 320039, localizado dentro da Fazenda Nacional vinculada ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) em nome do deputado.
Nos bastidores jurídicos, a leitura é clara. O MPF não recuou. Apenas reorganizou o ataque. A nova portaria manda produzir laudos técnicos individuais e arquivos georreferenciados para sustentar ações separadas contra cada investigado no sistema Amazônia Protege.
Enquanto os demais proprietários terão processos próprios, o deputado passa a ser alvo exclusivo do procedimento que acompanha a elaboração da nova ação. O TAC também entra no radar.
Na prática, o que parecia um alívio virou apenas intervalo. O processo anterior morreu na burocracia. O novo nasce mais focado.
E na política, quando a acusação ganha nome, área e coordenada geográfica, o desgaste também deixa de ser coletivo e passa a ser pessoal.



























