Relatórios oficiais apontam quadro clínico irreversível, longa internação e extrema vulnerabilidade social; gestão municipal critica tratamento superficial do caso por parte de setores da imprensa.
A Secretaria Municipal de Saúde de Primavera do Leste saiu publicamente em defesa da equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após a repercussão do óbito de um paciente de 70 anos, ocorrido na madrugada do dia 13 de janeiro, e afirmou que não há, até o momento, qualquer elemento técnico que sustente a narrativa de negligência difundida por parte da imprensa local.
Segundo a Secretaria, os documentos oficiais que compõem o processo administrativo do óbito demonstram que o paciente Wilmar Fernandes Pereira estava internado desde 18 de dezembro, sem qualquer alta médica, apresentando um quadro clínico considerado extremamente grave desde a admissão. O Relatório Social e os prontuários médicos apontam diagnósticos de enfisema pulmonar grave, insuficiência cardíaca congestiva, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) em fase avançada, insuficiência renal aguda e edema importante em membros inferiores, combinação de patologias que, segundo a Secretaria, configura um perfil de altíssimo risco e com prognóstico reservado.
Durante praticamente um mês de internação, o paciente permaneceu sob acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional da unidade, sem qualquer interrupção de assistência. A Declaração de Óbito atestada pela médica plantonista indica como causa insuficiência respiratória pulmonar associada à insuficiência cardíaca, quadro plenamente compatível com o histórico clínico registrado ao longo do período de internação.
Além das condições médicas, os documentos oficiais também revelam que o paciente se encontrava em situação de extrema vulnerabilidade social, sem residência fixa, com histórico de situação de rua e sem vínculos familiares ativos. Em diversas abordagens realizadas pela equipe de Serviço Social, ele recusou fornecer contatos de familiares ou autorizar tentativas de localização, o que foi respeitado conforme determina a legislação e os princípios éticos do atendimento social.
Somente após o falecimento, por meio do CREAS de Sinop, foi possível localizar a existência de um filho, atualmente internado em uma casa de recuperação para dependentes químicos, e uma ex-esposa em Cuiabá, que declarou não manter contato com o paciente há mais de 30 anos e renunciou formalmente à responsabilidade pelos procedimentos funerários, solicitando que o Município assumisse o sepultamento. Diante da inexistência de responsáveis legais, a Prefeitura realizou o sepultamento dentro das normas da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e dos protocolos municipais para casos de indigência, procedimento considerado padrão em todo o país para situações dessa natureza.
Em manifestação oficial, a secretária municipal de Saúde, Laura Leandra, foi categórica ao afirmar que a equipe da UPA atuou de forma técnica, ética e dentro de todos os protocolos assistenciais, tanto no campo clínico quanto no acompanhamento social do caso. Segundo ela, a denúncia de suposta negligência envolvendo uma técnica de enfermagem teve origem em matéria publicada pela imprensa local, sem que houvesse qualquer denúncia formal registrada nos canais institucionais da Secretaria ou da Ouvidoria do Município.
Mesmo assim, por cautela administrativa e dever de transparência, a Secretaria determinou a abertura de levantamento interno, ouvindo os profissionais de plantão e analisando prontuários e registros da unidade. Laura Leandra, no entanto, ressalta que até o momento não há qualquer indício técnico de falha assistencial, e que os próprios relatórios oficiais evidenciam que o paciente já se encontrava em condição clínica extremamente delicada e com elevado risco de óbito desde a admissão.
A gestão municipal também fez críticas diretas à forma como parte da imprensa conduziu a cobertura do caso, apontando que houve precipitação, ausência de checagem técnica e desconsideração completa dos documentos oficiais, com a construção de uma narrativa baseada em suposições e recortes isolados de informação.
Para a Secretaria, a divulgação de acusações sem respaldo técnico não apenas gera desinformação, como expõe indevidamente servidores públicos, compromete a confiança da população no sistema de saúde e desrespeita o próprio princípio básico do jornalismo, que é a apuração responsável dos fatos.
Laura Leandra reforçou que questionamentos são legítimos e fazem parte do controle social, mas destacou que críticas precisam ser baseadas em dados, documentos e responsabilidade, e não em especulações ou interpretações rasas de um caso complexo. “Estamos falando de um paciente com múltiplas comorbidades graves, longa internação e sem perspectiva real de reversão do quadro. Os documentos são claros. A equipe atuou dentro do que é preconizado pelo sistema de saúde”, afirmou.
Diante desse conjunto de informações, a Secretaria de Saúde sustenta que a equipe da UPA foi alvo de uma exposição injusta e que os registros oficiais blindam a atuação dos profissionais, demonstrando que o desfecho está diretamente relacionado à gravidade do quadro clínico e não a qualquer conduta inadequada por parte da unidade.



























