RONDONÓPOLIS (MT) — A narrativa espalhada em grupos de WhatsApp de que o prefeito teria recusado uma emenda de R$ 400 mil do deputado Sebastião Rezende para a área do autismo não se sustenta. Além de distorcida, ela omite um detalhe central que muda completamente o contexto dos fatos. Não houve recusa de emenda para o autismo porque não houve emenda formalizada, apenas conversa informal, valor incompatível com a importância da cidade e, depois, uma narrativa conveniente espalhada em redes sociais.

Conversa de bastidor, daquelas que não viram nota oficial, mas explicam muita coisa. A proposta de emenda do deputado, foi levada à Prefeitura por um vereador de Rondonópolis que apoia politicamente Sebastião Rezende. Foi esse vereador o emissário da ideia, tentando emplacar o valor como se fosse algo relevante para a cidade.
E aí começa o problema.
Rondonópolis é a segunda maior economia de Mato Grosso. Tratar a cidade com proposta de R$ 200 mil ou R$ 400 mil é tratar como município pequeno. Deputado estadual hoje tem cerca de R$ 28 milhões em emendas parlamentares. Para uma cidade desse porte, o mínimo esperado é acima de R$ 1 milhão. Isso não é birra, é proporcionalidade.
A crítica feita nos bastidores não foi à pauta do autismo, que é séria e merece investimento pesado. Foi ao valor irrisório e à tentativa de transformar trocado em gesto político. Ainda mais quando vereadores conseguem destinar valores próximos ou até superiores a isso.
Assim a Prefeitura fez o caminho correto e institucional. O prefeito oficializou pedidos de emendas para todos os deputados estaduais, federais e senadores, sem distinção de nomes ou partidos. Pedido formal, assinado, transparente. Nada foi recusado.
O volume menor de emendas estaduais tem explicação simples. Muitos deputados que antes destinavam recursos para Rondonópolis hoje são prefeitos. E prefeito não manda emenda.
Portanto, não houve recusa de emenda para o autismo. Houve cobrança por respeito à cidade e por valores compatíveis com sua importância.
O resto é narrativa mal contada, espalhada em grupo de WhatsApp, convenientemente sem mencionar que a proposta veio por meio de um vereador aliado do próprio deputado.
Rondonópolis não aceita trocado.
E política séria não se faz com conversa atravessada.



























