Por Marcelo Marreta -(3 minutos de leitura)
No Brasil, existe um hábito confortável e covarde: tratar o político corrupto como se fosse um alienígena que pousou em Brasília por engano. Como se ele não tivesse passado por fila, jeitinho, conversa fiada, promessa vazia, etc….
A verdade dói, mas precisa ser dita sem anestesia: o político corrupto é reflexo direto da sociedade que o escolhe.
Não nasce corrupto no gabinete. Ele chega lá depois de anos sendo treinado na base da tolerância social ao erro pequeno, à trapaça “sem vítima”, ao famoso “todo mundo faz”. O problema é que, quando esse “todo mundo” vira mandato, o prejuízo vira bilhão.
O mesmo eleitor que reclama do desvio é o que; pede favor em troca de voto; aceita promessa impossível; fecha os olhos para irregularidade do seu lado; defende político como se fosse time de futebol.
Corrupção não começa no contrato fraudado. Começa quando o eleitor normaliza o errado porque o errado o beneficia por alguns minutos. O político aprende rápido. Ele entende que não precisa ser honesto, só precisa parecer honesto até a eleição. Depois disso, a memória do eleitor é curta, seletiva e facilmente distraída por uma obra pintada, um vídeo bem editado ou uma live emotiva.
E quando alguém aponta o erro? Vem a resenha de sempre.
“Todo político rouba” “Pelo menos ele faz”, “Se não for ele, entra outro pior”, entre outros mantras tradicionais, de desculpas esfarrapadas.
Essa frase é a certidão de nascimento da corrupção permanente.
Enquanto o eleitor continuar escolhendo conveniência em vez de caráter, discurso bonito em vez de histórico, promessa em vez de prova, o resultado será sempre o mesmo: representantes que representam exatamente isso.
Não adianta pedir salvador. País sério não é feito de heróis, é feito de responsabilidade coletiva. E democracia não falha sozinha. Ela falha quando o voto vira favor e a crítica vira ataque pessoal.
O político corrupto não é exceção. É o produto.
Produto de uma sociedade que cobra pouco, esquece rápido e defende errado.
Produto de um eleitor que exige moral depois da eleição, mas negocia valores antes dela.

Marcelo Marreta é jornalista, editor e fundador do portal Marreta Urgente. Atua na cobertura de política, segurança pública e bastidores do poder, com uma linha editorial independente, direta e sem concessões. Participa de programas em rádios e atrações de alcance nacional, como o Bradock Show, levando análises críticas e posicionamentos firmes além do cenário local. Conservador de direita, defende a transparência, a liberdade de expressão e o direito à informação como princípios inegociáveis do jornalismo.



























