PRIMAVERA DO LESTE (MT) — Política não é lugar pra chilique. Mas foi exatamente isso que muita gente enxergou após a resposta atravessada da vereadora Maria Garzella (MDB), a uma eleitora nas redes sociais. A cidadã fez uma crítica direta ao mandato. A resposta veio dura e debochada e com aquele velho tom de “se não gostou, sai”.
Resumo da ópera: quem questionou saiu como errada, exagerada e até “asneira” entrou no pacote. Tudo isso vindo de uma parlamentar eleita para representar o povo, não para enquadrar eleitor em comentário de Instagram.
E aí vem a parte que pesa.

Quanto custa essa cadeira?
A vereadora recebe quase R$ 14 mil de salário bruto, somados a mais de R$ 8.800 de verba indenizatória. Faz a conta simples, sem calculadora cara: quase R$ 23 mil por mês bancados pelo contribuinte de Primavera do Leste.
Com esse valor pingando todo mês, o mínimo esperado é postura, jogo de cintura e respeito. Crítica não é crime. Questionamento não é ataque pessoal. É cobrança de quem paga a conta.
Quem entra na vida pública precisa entender uma regra básica: rede social não é palanque exclusivo nem sala acolchoada. É praça. É povo falando. Vai ter elogio, vai ter crítica e vai ter cobrança. Faz parte.
Quando um vereador reage mal, perde a razão e ainda tenta desqualificar o eleitor, o recado que fica é ruim. Passa a sensação de que o mandato é blindado, intocável e acima do cidadão comum. E não é.
O eleitor não quer vereador perfeito. Quer alguém que escute, explique, responda e, quando errar, assuma. Responder com arrogância só aumenta a distância entre quem governa e quem é governado.
No fim das contas, crítica não derruba mandato. O que derruba é soberba, falta de humildade e a ideia de que cargo público é favor quando, na verdade, é serviço.



























