Cuiabá (MT) – Fávaro tenta se equilibrar entre Lula e o agro, e o malabarismo ficou ainda mais evidente nos últimos dias. De um lado, o ministro da Agricultura não pode desautorizar o presidente. Do outro, não quer levar pedrada no curral eleitoral onde sonha se eleger senador.
Resultado: ele culpa “informações equivocadas”, joga a responsabilidade no ar e posa como o adulto responsável que vai “rever tudo”. Nada de peitar alguém: apenas a encenação perfeita de defensor de Mato Grosso perante o setor ruralista.
A performance é velha conhecida na política. Prudência técnica? Só na embalagem. O conteúdo é aquele clássico ajuste de discurso para agradar quem realmente vota no estado.
Fávaro afirmou que vai tentar convencer o presidente Lula a rever a homologação de três terras indígenas em Mato Grosso. Disse que Lula pode ter sido informado de que “estava tudo pronto e pacificado”, mas que isso “não é verdade”. E já deixou outro recado: se houver inconsistência, vai defender revisão. Parece firmeza. Parece técnica. Parece equilíbrio. Só parece.
Para completar o pacote, defendeu que qualquer desapropriação seja indenizada em dinheiro e à vista, frase sob medida para não irritar o agro nem por um segundo. O discurso foi feito na inauguração do escritório da ApexBrasil em Cuiabá, palco perfeito para repetir o que o setor queria ouvir.



























