Rondonópolis (MT) – A denúncia é grave e vem de dentro da própria Universidade Federal de Rondonópolis (UFR): alunos do curso de Medicina relatam um cenário de desorganização acadêmica, professores que não cumprem carga horária e um possível esquema de “aulas fantasmas” bancadas com dinheiro público.
Segundo estudantes, há docentes que simplesmente não comparecem à universidade. No lugar das aulas presenciais obrigatórias por determinação do MEC para cursos de Medicina, eles mandam slides ou materiais por aplicativos de mensagens e, em alguns casos, repassam aos próprios alunos a responsabilidade de montar e ministrar conteúdos inteiros.
O Centro Acadêmico de Medicina Dr. Mário Perrone (CAMMPE) formalizou as acusações em documento enviado à Diretoria da Faculdade de Ciências da Saúde, pedindo providências urgentes. A denúncia cita nominalmente o professor, acusado de “transferir aos alunos a responsabilidade de preparar e ministrar conteúdos sob sua responsabilidade”, atitude classificada como “falha grave de responsabilidade docente”.
Mensagens trocadas em grupos de WhatsApp entre o professor e alunos, anexadas ao documento, mostram que uma aula cancelada foi considerada “aula dada” mesmo sem ter sido realizada. “Assim fica considerado aula dada”, escreveu o docente após a aluna responsável pela apresentação justificar ausência por motivo de saúde.

Outro caso citado envolve a disciplina de Emergências Clínicas, em que o professor teria delegado todas as aulas do semestre aos estudantes, justificando que o “ganho financeiro é insuficiente” para ministrá-las.
Na prática, conforme o relato, há docentes recebendo integralmente por cargas horárias que não cumprem. Enquanto isso, alunos ficam sem o acompanhamento técnico e pedagógico exigido para a formação médica, sendo obrigados a assumir papéis administrativos e didáticos, uma inversão absurda da estrutura universitária.
Além da precarização das aulas, estudantes afirmam sofrer retaliações e ameaças veladas de reprovação, configurando um ambiente de “terror psicológico”.
O Centro Acadêmico pede investigação formal sobre a conduta dos professores, reposição das aulas canceladas, e garantia de cumprimento rigoroso do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), que determina a obrigatoriedade de aulas presenciais ministradas pelos docentes.
A denúncia foi encaminhada a UFR em carta, assinada no dia 7 de outubro de 2025, solicita ainda resposta formal das instâncias superiores da UFR, em nome da transparência e da integridade do ensino.
A reportagem do Marreta Urgente apurou que o documento foi protocolado na universidade e que a denúncia também será encaminhada a órgãos de controle, incluindo o Ministério Público Federal, para que sejam verificadas possíveis irregularidades no uso de recursos públicos e na execução de contratos docentes.
Enquanto isso, estudantes vivem o impasse: cobram o básico, aulas presenciais, professores em sala e respeito ao dinheiro público.
Se as denúncias forem confirmadas, não se trata apenas de falha pedagógica, mas de crime contra o erário e contra o futuro da medicina mato-grossense. O contribuinte paga para formar médicos, não para bancar aulas no WhatsApp.
Diante da repercussão, a Universidade Federal de Rondonópolis enviou nota oficial à redação do Marreta Urgente.
📄 NOTA DA UFR SOBRE AS DENÚNCIAS
“A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) é sensível às demandas de sua comunidade acadêmica e acredita no diálogo e no trabalho em conjunto para resolução de conflitos.
A instituição acolheu o relato dos estudantes e tem acompanhado a situação com seriedade, reunindo as unidades acadêmicas e administrativas relacionadas ao assunto para estabelecer medidas imediatas que assegurem o bem-estar da comunidade e a qualidade das atividades didáticas.
A UFR reitera seu compromisso com a construção de um ambiente acadêmico saudável, respeitoso e de formação de excelência para todos.”
Comunicação Social
Pró-Reitoria de Tecnologia da Informação e Comunicação
Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)
A nota demonstra que a instituição reconhece a gravidade da denúncia e promete agir rapidamente, mas até o momento não anunciou medidas concretas contra os professores citados.



























